O alto nível de sanidade exigido pelas exportações motivaram a implantação das pesquisas sobre o controle da mosca-das-frutas (Ceratitis capitata) no Vale do São Francisco. A implementação da técnica do inseto estéril vem mostrando eficácia nos experimentos conduzidos pela Embrapa Semiárido em fazendas de manga e uva da região.
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A aromatização |
Idealizado nos anos 1950 por um entomologista americano, o método consiste em liberar no campo grandes quantidades dos insetos, criados e esterilizados em laboratório para copularem com a população selvagem. A repetição semanal dessa prática gera ovos inviáveis, muitas vezes permitindo até a erradicação total do problema.
A pesquisadora Beatriz Paranhos explica que viabilidade do sistema, demonstrada através dos estudos promovidos nas cidades de Petrolina (PE) e Juazeiro (BA), atende às expectativas dos produtores também com relação à necessidade de reduzir a taxa de resíduos agrotóxicos nos frutos.
Os primeiros experimentos de campo, em 2005, contaram com uma linhagem mutante de moscas da Áustria, produzidas na Agência Internacional de Energia Atômica. O intuito era separar os indivíduos por gêneros na fase imatura, porque a fêmea mesmo estéril continua perfurando a casca dos fruto para postura.
As constatações acerca da compatibilidade sexual com a espécie local, a mensuração da capacidade de dispersão e o tempo de sobrevida foram fundamentais para definir a periodicidade e distância adequadas ao procedimento.
— Mais tarde, descobrimos que a aplicação aromática do óleo de gengibre nos machos estéreis atraía essas fêmeas. Então começaram os testes para definir as implicações, quantidades e o modo de utilização da novidade — informa.
Para garantir o sucesso é preciso que pelo menos de 20% das cópulas das fêmeas selvagens sejam com machos estéreis. A introdução da aromatização aumentou em mais de 40% a eficiência de cópula.
