Controle de pragas com aplicação de fungos nas plantações

Os fungos entomopatogênicos são parasitas que causam a morte de alguns insetos

Juliana Royo
Manejo

Uma solução alternativa e inovadora está sendo difundida pelo Instituto Biológico de São Paulo para o controle de pragas de diversas culturas. Ao invés da utilização de químicos, que são caros, podem causar danos sérios ao meio ambiente e até contaminar plantações, pesquisadores estão recomendando a aplicação de fungos nas lavouras. Os fungos entomopatogênicos são parasitas que causam a morte de alguns insetos. Eles são pulverizados nas plantações e controlam até 70% das pragas. O uso destes fungos foi o tema da aula de abertura do pesquisador José Eduardo de Almeida, do Instituto Biológico, durante o 16º Curso de Controle Microbiano de Insetos, que começou ontem (06/04) em Campinas.

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— No caso da cigarrinha, por exemplo, que é uma praga da raiz da cana-de-açúcar a gente tem encontrado uma média de 60% a 70% de eficiência, o que para o controle biológico é muito bom. É possível se conviver com a praga sem causar dano na cultura. Com isso, ao longo dos anos, nós observamos uma diminuição no uso de químicos na ordem de R$ 20 milhões por ano. Neste mesmo caso da praga da cana-de-açúcar nós tivemos uma diminuição de 6 a 10 vezes no valor de químicos, então é bem mais econômico e a gente consegue fazer uma aplicação adequada, eficiente e ainda sem causar impactos sérios ambientais — explica Almeida.

Além do benefício ambiental, o pesquisador destaca as vantagens econômicas porque o produtor pode reduzir imensamente os custos se fizer as aplicações corretas. Já existem fungos para o controle da cigarrinha da raiz da cana, da cigarrinha da folha da cana, da broca da bananeira, de ácaros em flores e hortaliças, para mosca-branca e ate cupins. Também já existem pesquisas de desenvolvimento para o uso destes fungos em carrapatos, mas é uma linha mais recente.

No entanto, Almeida ressalva que ainda não são todas as culturas que podem contar com os fungos entomopatogênicos. O Instituto Biológico presta consultoria por telefone (19 - 3251-1491) ou e-mail ([email protected]). O produto diz qual é a sua cultura e a praga que quer combater e os especialistas dizem o uso dos fungos é possível. No caso positivo, o Instituto indica empresas que já produzem estes fungos. Elas ainda estão concentradas na Região Sudeste, mas um dos objetivos do curso é justamente incentivar o desenvolvimento de biofábricas para que elas se espalhem por diversas áreas do país.

O pesquisador também alerta para medidas que devem ser tomados na manipulação dos fungos. Segundo ele luvas, máscaras e botas devem ser usados durante a aplicação, mas ele garante que não há problemas de contaminação ou riscos para o homem e os animais de sangue quente da fazenda. Almeida também explica os cuidados de manejo que devem ser feitos para que as aplicações tenham maior eficiência.

— Quanto à aplicação, alguns cuidados devem ser tomadas para que os fungos sejam eficientes. Eles não podem ser aplicados no período das 10h às 16h, sempre indicamos a aplicação após às 16h de preferência com umidade relativa do ar acima de 60% — ensina.