Controle de pragas em algodoeiros no sertão Sergipano

Um ataque de duas pragas ao mesmo tempo gera população de insetos muito acima do nível controlável e causa danos irreversíveis à cultura

Margareth Santos
Pragas

O correto manejo do cultivo do algodoeiro é fundamental para o seu sucesso, em virtude da sua fragilidade ao ataque de pragas. Experimento da Embrapa Tabuleiros Costeiros, no município de Porto da Folha (SE), constatou que quando há um ataque de duas pragas ao mesmo tempo, não é possível adotar nenhuma alternativa de controle, visto que a população dos insetos fica muito acima do nível controlável e os danos causados são irreversíveis.

O ataque geralmente começa pelas bordas das lavouras e os maiores cuidados devem ser tomados no período entre o aparecimento dos primeiros botões e a abertura dos primeiros capulhos. O uso de inseticidas ainda é o procedimento mais comum, e serve tanto para controle do bicudo (Anthonomus grandis) quanto para o da lagarta-rosada (Pectinophora gossypiella). No entanto, a medida só é indicada para situações em que haja a ocorrência simultânea dessas duas pragas.

Para controlar essas pragas o ideal é utilizar um conjunto de métodos disponíveis, o chamado Manejo Integrado de Pragas (MIP), do que apenas usar métodos isolados. Algumas medidas alternativas podem e devem ser levadas em conta, como por exemplo, época do plantio, catação dos botões, arranquio e queima de restos culturais.

O plantio uniforme na região, com todos os produtores cultivando na mesma época, encurta o período de reprodução viável à oviposição do bicudo, mas para se ter sucesso é preciso seguir o zoneamento agrícola específico de cada lavoura. A catação, a cada cinco dias, dos botões, flores ou capulhos atacados, caídos no chão, e a queima ou enterrio deles, nunca inferior a 30 centímetros, diminui em 70% o uso de inseticidas. Após a colheita, é interessante permitir a entrada do gado para pastar na área, por cerca de 30 dias. Depois da retirada dos animais, convém amontar e queimar os restos culturais, dessa forma há uma diminuição da fonte de pragas.

O uso de inseticidas pode causar desequilíbrios nas populações de ácaros associadas ao uso de piretróides. Portanto, esse produto, de preferência, não deve ser usado antes dos 80 dias após a emergência das plantas. É recomendável a rotação de produtos com princípios ativos diferentes, desfavorecendo a resistência das pragas aos inseticidas.


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