A rede brasileira de laboratórios de controle da qualidade do leite é fruto do convênio entre o Ministério da Agricultura e diversas universidades do país, no sentido de adequar a produção leiteira às determinações da legislação federal. O Serviço de análises de rebanhos leiteiros (Sarle), unidade instalada na Universidade de Passo Fundo (UPF), concentra a testagem dos rebanhos do Rio grande do Sul.
O pesquisador responsável pelo projeto na UPF, professor Carlos Bondam, explica que a instrução normativa 51 propôs critérios que devem ser gradativamente cumpridos até 2011. As análises mensais contemplam uma amostra de leite de cada produtor, atendendo o objetivo de elevar a qualidade do produto que chega às indústrias e à mesa do consumidor.
— Foram estabelecidos alguns percentuais importantes. O leite deve apresentar nível de gordura igual ou superior a 3%, de proteína igual ou superior a 2,9%, e lactose igual ou superior 4,4%. Já a contagem de células somáticas e bacterianas deve estar em 750 mil unidades formadoras de colônia. Após o prazo limite, esse índice cairá para 450 mil — diz ele.
Conduzidos em laboratórios automatizados, montados em comodata pelo Mapa, os testes são realizados através da utilização de infravermelho e citometria de fluxo. A contagem de células conta ainda com adição de um corante, que ao ser exposto a um feixe de luz identifica o índice de contaminação pelo DNA.
À medida que a implementação desses parâmetros possibilita correção das técnicas de manejo adotadas pelo produtor, aumenta também a produtividade e rentabilidade nessas propriedades. No caso de contaminação comprovada é possível identificar e tratar os animais individualmente.
— Quando as amostras indicam infecção na glândula mamária, por exemplo, é possível tratar os animais doentes ou mesmo eliminá-los, caso a doença seja crônica — revela.
Com as metas alcançadas, o sucesso do trabalho desenvolvidos pelo Sarle indica um novo potencial do projeto. De acordo com Carlos Bondan, o intuito, no futuro, é prestar um serviço de gestão de propriedade. No entanto, até o momento os resultados mais significativos observados nos rebanhos regionais referem-se à queda na contagem bacteriana do leite, o que implica diretamente no aumento da higiene e segurança de consumo.