De todos os ectoparasitas do gado, o berne é um dos mais difíceis de controlar. Seu combate é complicado, pois a própria mosca Dermatobia hominis não se aproxima dos possíveis hospedeiros, utiliza-se de moscas foréticas (portadoras de ovos), para servir de insetos veiculadores, os quais vão depositar as larvas oriundas destes ovos sobre a pele do hospedeiro e estas vão formar então o berne, penetrando ativamente no tecido subcutâneo. A questão se agrava, uma vez que, potencialmente, muitos insetos podem funcionar como foréticos.
O controle do berne implica, portanto, no controle de um grande número de espécies, as quais por si só não são ectoparasitas ou pragas do bovino. Por isso, na maioria dos casos, o combate ao berne restringe-se ao tratamento das larvas no corpo do animal já lesado.
Contudo, o deficiente controle da mosca do berne não somente traz prejuízos à saúde do animal e à sua produção de carne e leite, mas também causa danos irreversíveis e desvaloriza o subproduto couro.
Mais recentemente, em algumas regiões e microrregiões do Rio Grande do Sul, verifica-se, segundo a Embrapa Pecuária Sul, o aumento das infestações pelo berne. Isso pode ser atribuído a uma redução do uso de piretróides em decorrência da resistência adquirida do carrapato a esta base química.
Em propriedades cujos produtos piretróides e as formulações comerciais (piretróides mais organofosforados) são eficazes no controle do carrapato, o controle da mosca do berne pode ser feito simultaneamente quando da aplicação de banhos para o controle do carrapato. Os piretróides têm ação repelente de moscas e outros insetos foréticos.
Para os casos em que o animal seja contaminado por berne, a Embrapa Pecuária Sul aponta que existem produtos de última geração, como os endectocidas, aplicados sob a forma injetável, "pour-on", ou bolus de liberação lenta, que apresentam alta eficácia curativa e preventiva no tratamento.
De acordo com a Embrapa Pecuária Sul, esses produtos promovem a expulsão das larvas da Dermatobia hominis (berne) já instaladas no tecido subcutâneo, além de proteger os animais frente a novas infestações por períodos prolongados.
Devido às dificuldades implicadas no controle do berne, atualmente, instituições de pesquisa encaram como um desafio a promoção de linhas de investigação científica que contemplem o manejo integrado do berne, o que ainda deverá demandar tempo e investimentos.