Controle leiteiro de búfalos é essencial para escritura zootécnica e conhecimento do rebanho

Sistema permite alimentação animal adequada, uma vez que o criador sabe quais são as búfalas que produzem mais

Juliana Royo
Melhoramento genético

A bubalinocultura ainda não é expressiva no Brasil. A carne de búfalo enfrenta uma briga para ser reconhecida e conquistar espaço na mesa do brasileiro. Com o leite, o desafio é ainda maior. Uma das principais desvantagens da produção leiteira de búfalas, além da falta de tradição no consumo nacional, é a baixa produtividade. Enquanto uma vaca pode produzir de dez a 30 litros de leite por dia, a búfala produz de seis a 15 litros. Por isso, o controle leiteiro é de extrema importância, porque identifica os animais com alta produtividade, o que possibilita que o criador atenda melhor às exigências do animal e recolha material genético de qualidade para ser usado no programa de melhoramento.

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— O controle leiteiro tem o objetivo de introduzir uma escrita zootécnica da criação para futura utilização. É uma ferramenta prática e fundamental para a determinação de custos, educação do criador e, consequentemente, para transformar uma propriedade rural em uma empresa com controle de informações. O benefício principal é enumerar no rebanho as melhores produtoras de leite durante uma lactação completa. É extremamente importante esta identificação, porque uma búfala altamente produtora de leite vai transmitir esta característica para os seus descendentes — diz Alcides de Amorim Ramos, criador de búfalo leiteiro, professor de bovinocultura de leite da Unesp e pesquisador do CNPq.

O controle leiteiro deve ser feito a cada 28 dias, desde o quinto dia após o início da lactação da búfala até 365 dias. Mas o ideal, segundo o especialista, é que este período de lactação seja de 270 dias para que a búfala possa se reproduzir. O controle oficial é feito por um representante da Associação Brasileira de Criadores de Búfalo, que é um profissional zootecnista, médico veterinário ou agrônomo ou técnico agrícola. Alguns fazendeiros também contratam técnicos particulares para realizarem o controle leiteiro semanalmente. No controle oficial, o proprietário inscreve o seu animal no programa de controle leiteiro para que o controlador já chegue na fazenda sabendo exatamente quantas búfalas estão em período de lactação. Ramos explica que é importante que  todos os animais que estão produzindo leite sejam  inscritos no controle leiteiro e não apenas uma fração do rebanho para que não se tenha um controle vicioso.

O controle leiteiro é a ferramenta mais importante para o melhoramento genético, porque através dele o criador tem conhecimento das búfalas que mais produzem. Também é analisada a qualidade do produto através dos níveis de proteína e gordura encontrados em cada amostra. É muito importante também para a nutrição animal, uma vez que as búfalas mais produtores podem receber alimentação concentrada especial.

— Uma búfala que é ordenhada duas vezes por dia e produz 15 litros de leite não pode receber a mesma quantidade de alimentos concentrados que uma búfala que produz apenas seis litros de leite. Então, o controle leiteiro permite que você identifique estes animais mais produtivos e atenda às exigências dele fornecendo uma alimentação mais apropriada para manter a sua produtividade elevada. Através do controle, vamos poder passar com consciência estas boas características de geração em geração — explica.