Controle químico das doenças da soja com foco na ferrugem asiática

É essencial que o produtor e/ou o assistente técnico tenham à disposição um inspetor de campo capaz de identificar folhas com sintomas iniciais suspeitos de serem ferrugem.

Margareth Santos
Manejo

O sistema de alerta é uma importante ferramenta para auxiliar a tomada de decisão no controle da ferrugem. A princípio é essencial que o produtor ou o assistente técnico tenham à disposição um inspetor de campo capaz de identificar folhas com sintomas iniciais suspeitos de serem ferrugem, e conduzir amostras das folhas para um laboratório credenciado no sistema de alerta do Consórcio Anti-ferrugem para o efetivo diagnóstico da doença. O objetivo é a constatação precoce e a inserção do foco (em caso de confirmação) no sistema via internet.

Com base nos dados da evolução dos focos da ferrugem na macro-região de cultivo, o produtor pode correlacionar as informações do sistema (número de focos na área) com as condições e previsões climáticas da safra, levando em consideração ainda a capacidade operacional do parque de pulverização da propriedade, optando pelo controle preventivo ou curativo.


Como identificar o uso dos controles preventivo e curativo


Ao identificar os primeiros resquícios da doença no terço inferior das plantas, deve ser operado o controle curativo, que só apresentará sucesso com a imediata pulverização com fungicida eficiente.

Se as condições climáticas forem favoráveis ao desenvolvimento da ferrugem, o número de focos da macro-região da propriedade estejam aumentando, a capacidade operacional seja inferior à área cultivada, e a cultura tenha atingido o estágio reprodutivo, então opta-se pelo controle preventivo.

No estágio vegetativo da soja, deve-se monitorar a lavoura a cada três dias, realizando o controle somente após a constatação da ferrugem no talhão.


Após a aplicação


Depois da primeira aplicação, deve-se fazer o acompanhamento do desempenho do produto usado, verificando o seu residual que normalmente é de 15 a 28 dias (dependendo da pressão de inóculo na cultura), da tecnologia utilizada, das condições climáticas, da arquitetura da planta (figura 9.4), e de seu ciclo de desenvolvimento.

Se constatada a evolução da ferrugem na área, proceder novamente uma reaplicação, desde que a soja esteja até o estágio R7.1 (saiba mais sobre a fenologia da soja).


Cuidados importantes para os cultivares


Os cultivares mais sensíveis, de ciclo longo e cultivares plantadas após 10 de novembro, necessitam de atenção redobrada, pois pode se fazer necessário duas ou mais aplicações.

Para as cultivares mais tolerantes, cultivares de ciclo longo e cultivares plantadas em outubro, existe a possibilidade de controlar a ferrugem com uma única aplicação, desde que o surgimento da doença ocorra a partir do estágio R4 – considerando toda a macro-região de cultivo – e as condições climáticas não favoreçam a progressão da ferrugem.

Assim sendo, recomenda-se, impreterivelmente, realizar a aplicação em R4, caso não tenha sido registrado anteriormente nenhum foco de ferrugem na macro-região, utilizando misturas de triazóis mais estrobirulinas. A aplicação visa também o controle das doenças de final de ciclo – crestamento de cercospora (Cercospora kikuchii) e septoriose (Septoria glycines) –, cujo controle não deve ser esquecido, já que podem provocar perdas de até 20% na produtividade final.


Tratando os casos de mancha-alvo e antracnose


Nas ocorrências de mancha-alvo e antracnose, bons resultados de controle foram obtidos com baterias de aplicações de benzimidazóis iniciadas próximas ao florescimento das plantas, sobretudo se as condições climáticas na ocasião estiverem favoráveis a estas doenças, ou seja, com dias nublados, alta precipitação e temperaturas em torno dos 28–30ºC.

Para o controle da antracnose podem ser utilizadas aplicações de produtos formulados com estrobirulinas e triazóis, desde que próximas ao florescimento, e caso haja também a presença de ferrugem na região. No entanto, se o objetivo for também o controle da mancha-alvo, é indispensável a adição do benzimidazol fortalecendo uma mistura tripla.