COP-16: resultados importantes para futuro do setor sucroenergético

Disponíveis e eficientes, soluções de baixo carbono como o etanol e a bioeletricidade poderão ser beneficiadas

UNICA
Agroenergia

Em duas semanas de intensas discussões em Cancun, no México, a Conferência das Partes da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (COP-16), realizada no final de 2010, chegou a algumas decisões que podem trazer benefícios para o setor sucroenergético brasileiro. A conclusão é do presidente da União da Indústria de Cana-de-Açúcar (UNICA), Marcos Jank, que participou das discussões encerradas no dia 18 de dezembro.

“O compromisso dos países desenvolvidos em continuar discutindo a extensão do Protocolo de Kyoto para depois de 2012, quando termina o primeiro período do compromisso de redução de emissões, e a criação de metodologias padrão no âmbito dos Mecanismos de Desenvolvimento Limpo (MDLs), são pontos relevantes para o nosso setor,” afirmou Jank.

Um dos temas abordados com grande empenho no México refere-se à vigência do Protocolo de Kyoto, no qual os países desenvolvidos se comprometem a continuar discutindo suas metas de redução de emissões dos gases que causam o efeito estufa. Caso o chamado “2º período de compromissos” do Protocolo seja adotado, soluções de baixo carbono como o etanol e a bioeletricidade poderão ser beneficiadas uma vez que estas são alternativas de mitigação já disponíveis e comprovadamente eficientes.

Oportunidades à vista

A questão de Kyoto é chave neste processo, e dita a ambição dos países em relação à redução de emissões. “Uma nova janela de oportunidades poderá ser criada para o setor sucroenergético caso metas mais ambiciosas sejam adotadas pelos países desenvolvidos” informa Rodrigo Lima, gerente geral do Instituto de Estudos do Comércio e Negociações Internacionais (Icone), que também acompanhou as negociações em Cancun.

Outro ponto que poderá ser positivo para o setor sucroenergético é uma possível facilitação da forma de elaboração de projetos de Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDLs). A nova abordagem poderá incluir projetos de geração de energia, transporte e agricultura, áreas chave para o setor sucroenergético.

Luiz Fernando do Amaral, assessor de Meio Ambiente da UNICA, que esteve em Cancun, lembra que “o setor tem enfrentado grandes dificuldades na aprovação de projetos de cogeração de biomassa por conta de questões metodológicas. A criação de metodologias padronizadas poderá ser importante para a promoção de um maior número de projetos de carbono pelo setor”.

Apex-Brasil

A participação da UNICA na COP-16 ocorreu com apoio da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil). Durante o evento, a UNICA marcou presença no Pavilhão Brasil, juntamente com empresas e entidades nacionais que têm atuação destacada no combate às mudanças climáticas.