Economicamente importante no Nordeste do Brasil, o coqueiro gigante ocupa mais de 200 mil hectares, sobrevivendo em condições adversas sem se valer de apoio tecnológico. A baixa produtividade desses plantios predominantemente pequenos, já suscita ameaças de importação. Há cerca de um ano, esses agricultores familiares, quase inteiramente desprovidos das técnicas mais básicas de produção, vem sendo atendidos por um projeto de revitalização da cultura, a cargo da Embrapa Tabuleiros Costeiros. Engenheiro agrônomo, o pesquisador Humberto Rollemberg Fontes explica que os primeiros resultados devem começar a aparecer no próximo ano. A proposta é recuperar a extensão territorial plantada e mais adiante renovar essas áreas com material melhorado, mudas selecionadas e plantios mais tecnificados.
|BARRA_AUDIO|
Segundo ele, o trabalho tem a função de resgatar tecnologias geradas pela Embrapa, ao longo dos anos, treinando técnicos locais para repassar aos produtores, alternativas de manejo econômico como baixo uso de insumos. Instaladas em propriedades particulares nos Estados da Bahia, Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, unidades piloto demonstram a aplicação prática dessas técnicas. A ideia é disseminar as possibilidades de melhoria da produção do coco com técnicas simples, além de incentivar a adoção de cultivo consorciado de milho, feijão, mandioca, feijão caupi.
— A falta de incentivo e a carência de profissionais especializados na área são a razão de toda essa deficiência. Aqui na Embrapa, somos referência em geração de tecnologia para cultura do coco. Queremos disseminar ações como a utilização da casca do coco para cobertura morta no solo, compostagem com a fibra do coco reutilizada para adubação orgânica, monitoramento fitossanitário de pragas e doenças e implantação de iscas atrativas — explica.
A expectativa é resgatar a cultura do coqueiro gigante e criar subsídios para formação de políticas públicas que possam dar suporte à atividade. o coco pode se destinar ao consumo in natura e às demandas industriais para fabricação de diversos ingredientes da culinária. De acordo com Fontes, o grande mérito do trabalho é levantar a questão e discutir as implicações sociais e econômicas do problema. O intuito é aumentar, em pouco tempo, a renda e a competitividade do segmento de forma sustentável.