Para não causar problemas ao meio ambiente e garantir a produção sustentável, a Embrapa Cerrados trabalha há 34 anos com o projeto “Técnicas de manejo da fertilidade do solo para a cultura da soja”. O objetivo é gerar novas tecnologias adequadas ao Cerrado. Até agora, o estudo contemplou as regiões de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, sul do Maranhão, Piauí e oeste da Bahia, com a correção de acidez do solo e a aplicação de rizóbios para adubação.
De acordo com o pesquisador Djalma Martinhão Gomes de Sousa, a primeira etapa consiste em regularizar o pH do solo, com a recomendação do uso de calcário para os 20 primeiros centímetros da terra. Para as camadas mais superficiais, pobres em cálcio e ricas em alumínio, é aconselhado o gesso. Os tipos de calcário utilizados são o dolomítico, o calcítico e o magnesiano. Já o gesso é aplicado quando o teor de cálcio é muito baixo sob a superfície e o de alumínio, excessivo. O teor de argila também deve ser medido nesse caso. Segundo Djalma, esses dois fertilizantes apresentam um efeito residual prolongado, de cinco a dez anos, e dão ótimos retornos econômicos ao produtor.
![]() |
Com as correções |
Outra tecnologia apresentada na pesquisa da Embrapa Cerrados é a aplicação de rizóbios no solo. A bactéria fixadora de nitrogênio possibilita, com custo menor, a substituição do adubo nitrogenado. Djalma ressalta que, após todos esses processos, é preciso a manutenção e recuperação dos nutrientes que a soja retira do solo. Para cada 50 sacos produzidos por hectare, são necessários 300 quilos de adubo 02020.
A produtividade regular da soja, sem correção de acidez e sem adubos, está na faixa de 100 toneladas de grãos por hectare. Com as correções adequadas, chega-se a 400 toneladas, nível de colheita do Paraná, estado cujas características de solo são totalmente favoráveis ao cultivo da soja. Para alcançar essa marca, o produtor deve estar atento aos índices permitidos para os fertilizantes.
— Um adubo como o potássio pode contaminar e perder-se por lixiviação e o fósforo é muito caro. Então, não devemos de forma alguma desperdiçar fertilizantes. Já existe a tecnologia, basta o produtor utilizá-la para que tenha maior retorno e maior eficiência de uso – aponta o pesquisador.
