Crédito, capacitação e infraestrutura impulsionam a floricultura no Rio de Janeiro

Em 2012, o setor movimentou R$ 470 milhões, um aumento de mais de 60% com relação ao ano anterior. Com o resultado, o Rio assume a segunda posição no ranking nacional dos produtores de flores

Emater-RJ
Agronegócio

Eduardo Laje tinha apenas 11 estufas em seu sítio de pouco mais de um hectare, localizado no distrito de Vargem Alta, nos arredores de Nova Friburgo, Região Serrana do Rio de Janeiro. Havia espaço para a expansão do seu negócio, mas o custo para a construção de novas estruturas para plantio era alto. Como muitos outros floricultores da região, Eduardo recorreu ao programa Florescer, iniciativa da Secretaria Estadual de Agricultura e Pecuária, à procura de recursos para alavancar sua produção, que hoje conta com mais 44 nascedouros de rosas, crisântemos, astromélias e bocas-de-leão, entre outras variedades de flores.

O programa Florescer oferece financiamentos a juros baixos para floricultores de todo o estado, planos de pagamento facilitados, treinamento e capacitação para que eles possam aproveitar ao máximo suas colheitas e promove cursos e seminários para que os agricultores estejam atualizados com as novas tendências do mercado.

Em 2012, o setor movimentou R$ 470 milhões, um aumento de mais de 60% com relação ao ano anterior. Com o resultado, o Rio de Janeiro, que figurava sempre entre a quarta e quinta posições no ranking nacional de maiores produtores, galgou até a vice-liderança, perdendo apenas para São Paulo.

Eduardo conta que o financiamento foi decisivo para o sucesso do seu negócio. "Com o investimento que pude fazer na construção de mais 44 estufas minha produção aumentou muito, e meu rendimento também. Consegui comprar um caminhão maior para escoar a colheita e uma câmara refrigerada, onde guardo as flores até o dia em que vou à Cadeg, no Rio de Janeiro, para vendê-las na minha lojinha, além de expandir a variedade de flores que planto", afirma.

Incentivos à cadeia produtiva
O sucesso do programa também se deu às diversas parcerias entre as secretarias de estado para a melhoria de todo o processo produtivo. Foram feitas melhorias nos sistemas de fornecimento de energia elétrica e água, e estradas da região foram pavimentadas para melhorar o escoamento da produção.

Há 10 anos cultivando flores, Eduardo afirma que esse é o melhor momento de seu trabalho. "A gente vive um momento muito bom aqui no Rio de Janeiro para a agricultura. Como a situação está melhorando muito, daqui a pouco vou construir ainda mais estufas em uma área que ainda não está plantada e aproveitar bem o espaço que tenho", revela.

Coordenadora do programa Florescer, Nazaré Dias, que também dá cursos de arte floral para os produtores fluminenses, afirma que os números positivos alcançados recentemente só foram possíveis devido aos incentivos dados em toda a cadeia produtiva. Ela afirma que o trabalho de capacitação legal, ambiental e jurídica fornecido pelo governo do estado permite que o floricultor entenda não somente características técnicas do seu trabalho, mas entenda sua importância para a economia local.

"Explicamos aspectos legais como tributação e questões trabalhistas para que eles sigam corretamente todos os aspectos legais e incentivamos o uso correto do solo com a legislação ambiental para que eles possam plantar seguindo as normas e sem prejudicar até a própria saúde. Não adiantaria simplesmente ofertar um financiamento sem, ao mesmo tempo, oferecer todo o amparo necessário para o sucesso da produção", conclui