Cresce incidência de nematóides nos Chapadões

Adoção de culturas não multiplicadoras e ajustes na safra de verão são indicadas para o controle do problema

Kamila Pitombeira
Manejo

A incidência de nematóides na sojicultura vem crescendo na Região dos Chapadões. Áreas com potencias de produção de 60 sacos, produzem apenas 45. Com isso, é preciso repensar as formas de manejo e controle desses causadores de doenças. Entre elas, a adoção de culturas não multiplicadoras e ajustes na safra de verão são as mais indicadas. Segundo Edson Borges, diretor e pesquisador da Fundação Chapadão, a Fundação Chapadão vem fazendo levantamentos na região há dois anos. Em termos de nematóides pratilencos, havia 59% do total analisado na safra 2009/2010. Na safra 2011/2012, esse número reduziu para 51%.

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— Nas amostras que apresentaram os nematóides pratilencos e de cisto, na safra 2009/2010, o índice de incidência era de 24%. Na safra passada, esse número subiu para 37%. Nas áreas com nematóides pratilencos e meloidogyne, nas duas safras, variou de 4% para 3%. Já nas amostras que apresentavam os três tipos de nematóides, o índice foi de aproximadamente 1%, sem alterações. O mesmo ocorreu com as áreas onde só havia nematóides de cisto, que permaneceram em torno de 4% — afirma o diretor.

Nas amostras enviadas das safras 2009/2010, 8% delas não apresentava nematóides. Nessa última safra, esse número passou para 4%. Borges conta ainda que em uma determinada área experimental, uma soja com potencial para 60 sacos produziu apenas 47. Essa é a principal preocupação dos produtores.

— Nas últimas safras, intensificamos o plantio com soja RR, que precisa ainda ter um ciclo de 118 dias. No entanto, segundo informação do setor de fitotecnia da Fundação, todas as cultivares com ciclo de 118 dias não apresentam resistência ou tolerância a nematóides. Com isso, elas se tornam mais suscetíveis — diz.

De acordo com o pesquisador, a primeira coisa que o produtor deve fazer é pensar em um sistema de produção onde são colocadas culturas não multiplicadoras, como a crotalária spectabilis, milheto, nabo forrageiro e girassol.

— Outro ponto importante é a safra verão. Nós temos que voltar um pouco com o milho e reduzir a pressão de milho safrinha, em vez de fornecer comida aos nematóides durante todo o cultivo. Aliado a isso, o produtor deve plantar uma soja com fator de reprodução mais baixo — orienta.

Por outro lado, os milhos plantados no verão ou na safrinha também precisam ter um fator de reprodução baixo, como conta Borges. Aliado a esse somatório de atividades, está ainda o tratamento de sementes.

— Precisamos, portanto, repensar as práticas para que a situação de equilíbrio se restabeleça — afirma.

Para mais informações, basta entrar em contato com a Fundação Chapadão através do número (67) 3562-2032.