Critérios de interpretação nutricional para o algodoeiro no cerrado goiano

Universidade Federal de Goiás realiza pesquisa para identificar critérios de interpretação nutricional da folha de algodão em lavouras comerciais no cerrado goiano

Redação
Adubação

A Universidade Federal de Goiás fez uma pesquisa para identificar os critérios de interpretação nutricional da folha de algodão através dos níveis de suficiência em parcelas de alta produtividade em lavouras comerciais no cerrado goiano.
 
Os critérios de interpretação normalmente usados na diagnose nutricional são de aplicação limitada, pois se referem a um nutriente só quando as condições edafoclimáticas são semelhantes às ajustadas pelas curvas de calibração dos métodos.
 
O experimento foi conduzido durante as safras 2004/2005, 2005/2006 e 2006/2007. Foram selecionadas 203 parcelas de 60 metros quadrados, distribuídas em Acreúna, Ipameri, Montividiu, Morrinhos, Santa Helena de Goiás e Silvânia. Nessas áreas, os algodoeiros foram cultivados em diferentes sistemas de preparo, em solos com gênese e textura diferentes, submetidos a distintas condições pluviais.
 
Em cada parcela, foram realizadas amostragens de folhas, e capulhos dispostos em número e posições aleatórias em cada área. Foram coletadas 30 amostras de folhas por parcela, durante pleno florescimento, das 5ª folhas, a partir da ponta da haste principal.
 
Já a produtividade das plantas foi tomada em pontos escolhidos aleatoriamente ao longo de duas linhas de cinco metros de plantio, colhendo-se os capulhos da área útil do experimento.
 
A produtividade média obtida nesse estudo foi de 3.114 quilos por hectare de algodão em caroço, mostrando o potencial produtivo da cultura no cerrado. Esse dado está em consonância com a média estipulada para o estado de Goiás que é de 3.285 quilos por hectare.
 
O estudo gerou as faixas adequadas de suficiência para a cultura e os dados foram comparados aos níveis de suficiência recomendados pela literatura especializada. Para os teores de nitrogênio, fósforo, magnésio, cobre, ferro, manganês e boro as faixas de suficiência foram maiores e ou parcialmente maiores que as até então vigentes. Já os níveis adequados de S ficaram parcialmente menores em comparação.
 
Para os elementos cobre, manganês e ferro, houve faixas de suficiências elevadas. Esta ocorrência pode ser devido ao excesso de pulverizações, que influenciam no aumento da concentração de cobre e manganês, elementos comuns na formulação de defensivos agrícolas. Já a alta concentração do ferro pode estar relacionada aos tipos de solos, nos quais se cultiva o algodoeiro em Goiás, pois são ricos em óxidos de ferro.
 
O nitrogênio e o enxofre foram os macronutrientes que apresentaram valores abaixo do adequado. Pode-se explicar esse fato pelo sistema de cultivo, uma vez que esses elementos têm relação direta com os teores de matéria orgância presente no solo e que a maioria das áreas encontrava-se em plantio convencional.