Cuidados com a reprodução de pequenos ruminantes

Reprodutor e época de acasalamento adequados, além de cuidados básicos de nutrição e sanidade, também são vitais para a reprodução dos animais

Pedro Zuazo
Manejo

Escolha criteriosa do reprodutor, cuidados básicos de nutrição e definição da melhor época de acasalamento são algumas das medidas que podem aumentar a eficiência da reprodução de pequenos ruminantes. Cada passo no processo deve ser orientado por técnicos zootecnistas e médicos veterinários que, em conjunto, definem as melhores biotecnologias a serem empregadas no plantel. Esse foi o tema de um dos cursos promovidos durante essa semana na 10ª Conferência Internacional de Caprinos, em Recife (PE).

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A reprodução de pequenos ruminantes possui alguns entraves com relação aos manejos sanitário e nutricional, por isso é fundamental o uso de biotécnicas que aumentem a produtividade do rebanho. Uma das principais tecnologias utilizadas é a inseminação artificial, que atinge uma grande escala de produtores, desde o pequeno, através de ação conjunta com as associações de classe ou cooperativas, até os grandes produtores.

Mas a incorporação da biotécnica, isoladamente, não garante uma reprodução eficaz, como explica a médica veterinária Maria Madalena Pessoa Guerra, doutora em Ciência Animal pela Universidade Federal de Minas Gerais.

— É muito comum, por exemplo, no caso do acasalamento por monta natural, os criadores usarem reprodutores sem realizar avaliação de sua capacidade reprodutiva. No entanto, muitas vezes o animal tem deficiência ou até incapacidade de cobrir e fertilizar uma fêmea. A escolha do reprodutor é importantíssima e o primeiro aspecto que devemos levar em consideração é o tipo de aptidão que você deseja utilizar no seu manejo — explica.

A avaliação da capacidade reprodutiva é feita pelo médico veterinário, através de um exame andrológico. Segundo a médica veterinária, o exame é indicado mesmo que um animal apresente histórico de fertilidade, pois durante sua vida reprodutiva pode sofrer algum tipo de patologia ou deficiência que pode levar à infertilidade.

Outra escolha que pode ser decisiva na reprodução é a época de acasalamento. Os pequenos ruminantes se reproduzem de acordo com a época do ano em países de clima temperado, que têm as estações do ano mais definidas. No caso de países de clima tropical, como o Brasil, existem as influências da luminosidade, temperatura e umidade. Épocas muito quentes podem levar a uma baixa eficiência reprodutiva por conta do estresse térmico que os animais podem apresentar. Por outro lado, épocas muito frias ou chuvosas podem levar à ocorrência de doenças, o que também pode determinar uma baixa eficiência reprodutiva.

— Seria interessante estudar dentro de cada região uma época que tenha maior oferta de alimentos, menor estresse térmico, e que não tenha grande ocorrência de doenças, sobretudo as respiratórias, que podem comprometer a fertilidade dos animais — diz Maria Madalena.

Em relação à nutrição, quem faz as recomendações é o zootecnista, que desenvolve pré-requisitos nutricionais básicos de acordo com a aptidão da criação. Isso pode ser feito de maneira associada às condições ambientais da região, com o objetivo de usufruir ao máximo os produtos e recursos locais, o que diminui os custos do criador.
Na opinião da médica veterinária, é imprescindível que os criadores busquem orientação especializada para a condução de um manejo reprodutivo adequado. Caso o produtor não possa pagar pelos serviços do profissional, pode se apoiar em associações, cooperativas ou até mesmo em secretarias e outros órgãos do governo.