A Embrapa Pecuária Sul disponibilizou recomendações e procedimentos, a fim de contribuir com a redução da mortalidade perinatal de cordeiros débeis, nascidos em condições ambientais adversas. Sabe-se que esse assunto ainda é um dos grandes gargalos na produção ovina.
Alguns estudos apontam o complexo inanição-exposição (inabilidade de mamar acompanhada de frio e/ou chuva) como responsável por 40% a 80% das perdas de cordeiros antes da assinalação. A literatura relata esses casos como cordeiros hipotérmicos (mais popularmente chamados encarangados).
O problema ocorre mesmo em rebanhos com bom estado nutricional, com escore de condição corporal classificado três, e que durante a parição são assistidos diariamente. Isso pode ocorrer, devido, além das condições climáticas adversas, à idade da mãe, à distocia e ao peso do cordeiro ao nascer.
Há exemplos na prática de que há maiores mortalidades em condições climáticas adversas, como em dias com alta precipitação, baixas temperaturas e vento. Estes dois últimos fatores são expressos como sensação térmica.
O procedimento a ser tomado, quando o pastor se depara com um caso de hipotermia, varia de acordo com a condição e a idade do cordeiro.
Por exemplo, quando o cordeiro tem baixa temperatura corporal (com menos de 37ºC), a regra geral é: para aqueles mais velhos e que não suportem o peso da cabeça, aplicar injeção intraperitoneal de glicose a 20% antes de serem aquecidos.
Esta deve ser aplicada no volume de 10 mililitros para cada quilo de cordeiro. Por exemplo, um cordeiro de 3,5 quilogramas que foi encontrado encarangado, parido há mais de seis horas e que não consegue aguentar o peso da cabeça, deve receber uma injeção de 35 mililitros de glicose a 20% antes de ser seco e aquecido.
Portanto, é importante que o pessoal que vá atender o rebanho durante a parição, além de estar capacitado para auxiliar os animais, também tenha disponível um kit de apoio.
Esse kit deve conter termômetro clínico; seringa de plástico descartável de 60 mililitros; agulhas 40 por 12; solução injetável de glicose 20% (frascos de 200 mililitros); sonda estomacal (adaptar a sonda retal de uso humano número 20); frascos para coleta e armazenagem de colostro ou leite; toalhas para secagem dos cordeiros; fonte de calor para aquecer os cordeiros; e balança de gancho para pesar até 10 quilos.
É importante ainda ressaltar que a ocorrência de cordeiros hipotérmicos deve ser a exceção numa temporada de parição, pois, caso ocorra acima de 10%, é um indicativo que existem problemas no manejo do rebanho de cria. A ênfase deve ser sempre na prevenção para evitar que os cordeiros cheguem ao estado que necessitem deste tipo de intervenção.