Cuidados especiais na produção da torta de pinhão manso

Para manusear o pinhão manso, é importante saber das reações que cada substância provoca e os cuidados a serem adotados

Aline Jesus
Manejo

Pesquisadores da Embrapa Agroenergia vêm concentrando esforços em busca de respostas científicas que legitimem o pinhão manso como matéria-prima para a produção de biocombustíveis. Durante o andamento dos estudos, que duram em média de três a quatro anos, os especialistas também tentam viabilizar o uso da torta de pinhão manso para ração animal e adubo. Enquanto isso, alguns desafios e precauções despertam a atenção dos pesquisadores. Um deles é o manuseio seguro e adequado da torta que traz riscos tóxicos à saúde humana e animal.

A pesquisadora Silvia Belém realizou, em setembro de 2009, uma palestra para orientar analistas, pesquisadores e assistentes do laboratório de Biofísica e Bioquímica da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia. Silvia explica que estruturas químicas como os ésteres de forbol ficam concentradas no óleo, causando câncer e levando ao óbito se forem ingeridas. Ela ressalta, porém, que esse tipo de molécula não causa risco em contato com a pele. Já a proteína albumina 2S é alergênica e causa irritação nos olhos e na pele de pessoas com maior sensibilidade.

— Para evitar a ingestão do óleo, as pessoas devem se proteger utilizando máscaras e luvas. Se a torta foi manipulada por inteira, faz-se necessário o uso de jaleco de mangas compridas, bota e óculos de proteção — recomenda.

Outra estratégia em estudo envolve a identificação de acessos com baixa concentração ou com ausência de éster de forbol nos grãos, e a posterior incorporação da característica em cultivares comerciais por meio do melhoramento genético. Para isto, é necessário ampliar a base genética do banco de germoplasma com materiais que contenham essas características.