Desenvolvida para atender às necessidades das propriedades localizadas nas regiões de Cerrado da Bahia, a cultivar de algodão BRS 286 oferece aos agricultores uma nova alternativa para lavouras mais produtivas, com alto potencial de produção e fibras de acordo com os padrões exigidos pela indústria têxtil. Com a parceria entre a Fundação de Apoio a Pesquisa e Desenvolvimento do Oeste Baiano (Fundação Bahia) e a Embrapa Algodão, o cultivo da variedade é menos agressivo ao meio ambiente, por conta da redução do uso de produtos químicos para o controle de doenças.
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De acordo com o pesquisador Murilo Barros Pedrosa, da Fundação Bahia, é aconselhável que o plantio da BRS 286 seja feito a partir de 15 de dezembro. Por ser uma cultivar precoce, com o ciclo variando de 140 a 160 dias, o ideal é evitar o início do cultivo no final de novembro e primeira semana do último mês do ano, para evitar que durante a colheita haja perdas por apodrecimento em março e abril, período de chuva forte e favorável ao desenvolvimento de patógenos na cultura.
Murilo Pedrosa conta que a semente tem origem no cruzamento entre as variedades CNPA ITA 90, utilizada no Mato Grosso, e a CNPA 7H, no Nordeste. Isso rende algodoeiros com pilosidade nos ramos e folhas, folhas de tamanho médio, com três lobos, brácteas com sete a doze dentes, caule de coloração arroxeada, inserção do primeiro ramo frutífero geralmente do quarto ao quinto nó, ramos com distribuição oblíqua, maçã com formato ovalado, predominando quatro lojas por maçã, capulhos com retenção mediana na cápsula e línter e fibra de coloração branca.
— A 286 é uma cultivar moderna. Com relação a doenças, apresenta resistência a viroses, bacterioses e possui um nível de tolerância elevado à ramulária, principal doença na Bahia. Se a gente comparar com a cultivar mais plantada no oeste da Bahia, possui um nível de resistência superior — destaca o pesquisador, comentando que as avaliações da pesquisa foram feitas em fazendas no oeste baiano e nos Estados de Goiás e Mato Grosso do Sul.
Entre as técnicas de manejo, a variedade exige solo bem preparado, com adubação padrão e aplicações semanais de inseticidas para controle de pragas, como pulgões e mosca branca. A grande vantagem da semente é a diminuição do uso de fungicidas, o que favorece o meio ambiente local. Além disso, o espaçamento entre as fileiras deve ser de 0,75 a 0,90m e a densidade de 7 a 8 plantas por metro quadrado.
Segundo dados do projeto realizado pela Fundação Bahia, o algodão 286 atende ao mercado interno e externo, com fibras de comprimento médio e rendimento que vai de 39,5% a 41%. Já a produtividade média de algodão em caroço é de cerca de 4000kg por hectare e de quase 2000kg por hectare de pluma. Os índices superam outras cultivares, como a BRS Ipê e BRS Camaçari.
Para maiores informações, basta entrar em contato com a Fundação Bahia pelo telefone (77) 3628-4241.
