Cultivar de feijão-caupi indicada para os Estados do Amapá e Piauí

A qualidade de grão foi um dos fatores que levou ao lançamento da cultivar. Sabendo que, em geral, os consumidores de feijão são exigentes em relação a esse aspecto

Redação
Plantio

Nas regiões Norte e Nordeste, o feijão-caupi é uma cultura de grande importância sócio-econômica. Tradicionalmente cultivada, a espécie vem recebendo atenção pelo programa de melhoramento genético de feijão-caupi da Embrapa. Em um trabalho conjunto entre a Embrapa Meio-Norte e a Embrapa Amapá, foi gerada a cultivar BRS-Mazagão.

Trata-se de um material precoce, produtivo, de porte compacto e com grãos de alta qualidade comercial. Essas características permitem que a cultivar possa ser utilizada na sequência de cultivos de vários sistemas de produção, inclusive como cultivo de safrinha, após a cultura do arroz, na região de Cerrado.

A BRS-Mazagão foi testada nas regiões Norte e Nordeste, sendo recomendada a princípio para os Estados do Amapá e Piauí.

No cultivo de sequeiro, as produtividades médias em avaliações em campos experimentais variaram de 788 quilogramas por hectares no Piauí a 1.271 quilogramas por hectares no Amapá. No cultivo irrigado, a produtividade média foi de 1.895 quilogramas por hectares no Piauí. Em relação às produtividades máximas obtidas, no cultivo de sequeiro, foi alcançado 1.895 quilogramas por hectares e, no irrigado, de 2.718 quilogramas por hectares, ambos no Piauí.

Quanto às doenças causadas por vírus, a cultivar BRS-Mazagão apresentou em campo bom nível de resistência. Testada em laboratório mostrou-se altamente resistente ao CpAMV (Cowpea Aphide-Borne Mosaic Virus), imune ao CMV (Cucumber Mosaic Virus) e susceptível ao CpSMV (Cowpea Severe Mosaic Virus). Com relação ao CpGMV (Cowpea Golden Mosaic Virus), o qual não se consegue inocular artificialmente, não se constatou uma única ocorrência. Isso evidencia que essa cultivar é imune ou altamente resistente ao CpGMV.

Para o cultivo da BRS-Mazagão, recomenda-se que seja feita a análise de fertilidade do solo e que a calagem e adubação sejam feitas sob recomendações técnicas. O espaçamento entre fileiras deve ser entre 0,40 metros a 0,60 metros com 8 a 10 plantas por metro linear.

A população de plantas deve ficar em torno de 200 plantas por hectare. Para essa população, a necessidade de sementes é de 30 quilogramas por hectare. Para plantio manual, utilizar o espaçamento de 0,50 metros entre fileiras e 0,40 metros entre covas com o uso de duas plantas.

Além das características agronômicas citadas, uma outra preocupação da Embrapa Meio-Norte e da Embrapa Amapá para o lançamento da cultivar, foi com a qualidade de grão. Sabe-se que, em geral, os consumidores de feijão são exigentes em relação a esse aspecto.

A cultivar BRS-Mazagão tem grão branco, tegumento rugoso e forma reniforme. É um tipo de grão novo para o mercado piauiense, mas bem aceito nos Estados do Amapá, Bahia e Rio de Janeiro, pois se enquadra no grupo comercial conhecido como “Fradinho”. Na avaliação de cocção, a BRS-Mazagão foi considerada como de cozimento rápido e de excelente palatabilidade.