Criar cultivares que atendam à demanda industrial e ao interesse dos cotonicultores é a finalidade do Programa de Pesquisas com Algodão, liderado pelo pesquisador Wilson Paes, do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O mercado prima por materiais que ofereçam estabilidade e potencial produtivo, bem como alta porcentagem de fibras.
Além do estresse hídrico, no quesito resistência, o ideal é que a variedade tenha condições de enfrentar cerca de dez parasitas de solo e micro-organismos em geral. Porém, após um longo período de testagem das linhagens, foi possível encontrar um equilíbrio razoável entre as características desejáveis.
— Foram feitas avaliações e análises de comportamento, em campo, em múltiplas localidades de quatro estados brasileiros (Paraná, São Paulo, Goiás e Mato Grosso). Diante da impossibilidade de encontrar a perfeição, buscamos um bom equilíbrio entre as características de muitos parâmetros desejáveis — revela Paes.
Ao final de nove anos de experimentos, o Iapar indicou a IPR 140 E IPR JATAI às condições climáticas do Paraná e de Goiás. Ambas resistem a oito doenças e apresentam como grande diferencial a tolerância à nematóide Reniforme (Rotylenchulus reniformis) e à nematóide das Galhas (Meloidogyne incognita).
Esses parasitas podem comprometer até 75% do potencial produtivo das plantações. Responsáveis também pelos sintomas de manchas nas folhas, chamados de "carijó", são considerados o principal problema fitossanitário da cultura do algodão no Paraná. No entanto, o índice de ocorrência nas outras regiões produtoras do país já é preocupante.