Cultivares de feijão recomendadas para Minas Gerais

Cultivares recomendadas apresentaram resistência a, no mínimo, duas raças do agente causador da antracnose, uma das doenças mais destrutivas da cultura

Redação
Doenças

Em Minas Gerais, o melhoramento genético do feijoeiro é realizado principalmente de forma cooperativa entre a Embrapa, a Universidade Federal de Lavras (UFLA), a Universidade Federal de Viçosa (UFV) e a Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig). O principal objetivo é a obtenção de cultivares com grãos de boa aceitação pelos consumidores, resistência às principais doenças que afetam a cultura, porte ereto das plantas e boa produtividade.

Nos anos de 2001 a 2003, foram indicadas para Minas Gerais oito novas cultivares de feijão, todas elas com maior produtividade de grãos comparadas às cultivares anteriormente recomendadas. Para tanto, foram montadas em campo parcelas experimentais para avaliação comparativa de desempenho. As variedades que se destacaram agronomicamente foram BRS Radiante (rajado), BRS Valente, BRS Grafite (preto), BRSMG Talismã, BRS Requinte, BRS Pontal (carioca), BRS Timbó (roxinho) e BRS Vereda (rosinha).  

 Todas as cultivares,  por exemplo, apresentaram resistência a, no mínimo, duas raças do agente causador da antracnose. Esta é uma das doenças mais destrutivas da cultura, podendo causar a perda total da lavoura, principalmente se ocorrer no início do desenvolvimento da planta. Seus sintomas ocorrem nas folhas, especialmente na face inferior, e caracterizam-se por manchas escuras que acompanham as nervuras, e nos caules e pecíolos essas manchas podem causar um estrangulamento. Nas vagens, as lesões iniciam-se a partir de pequenas manchas pardas, as quais dão origem a cancros deprimidos, delimitados por um anel preto. Essas lesões podem atingir as sementes.

Um outro aspecto das avaliações comparativas a campo foi em relação ao porte de planta. Como opção de cultivares com porte ereto, foram constatados bons resultados com a BRS Valente e BRS Radiante, seguidas por BRS Grafite, BRS Timbó e BRS Vereda, com porte semi-ereto.

Já para aqueles que se interessam por cultivares precoces, a BRS Radiante, com ciclo de 80 dias, e BRSMG Talismã, de 75 a 85 dias, são boas opções.

Preocupadas com a aceitação do produto pelo consumidor, o consórcio de instituições de pesquisa em Minas Gerais empreendeu ainda avaliações comparativas sobre o tempo de cocção dos grãos. Com exceção da BRS Radiante, todas as cultivares apresentaram tempo de cocção igual ou inferior a 30 minutos. Já as de cozimento mais rápido foram a BRS Grafite, com 20 minutos, e BRS Requinte, 22 minutos.

Em geral, sabe-se que o Estado de Minas Gerais se destaca como um dos maiores produtores de feijão. As condições climáticas predominantes permitem que o cultivo possa ser feito em três épocas durante o ano. Na primeira época, a semeadura ocorre em outubro-novembro, na denominada safra das “águas”. Na segunda época, denominada safra da “seca”, a semeadura é realizada em fevereiro-março. Já na terceira época, a de outono-inverno, é indispensável o uso da irrigação, e a semeadura pode ser realizada de abril a junho nas regiões norte e nordeste do estado, onde as temperaturas são mais elevadas. Nas demais regiões, principalmente na região sul, a semeadura deve ser realizada na segunda quinzena de julho, devido às baixas temperaturas.

Em relação ao tipo de grão, na maioria das regiões do Estado, a preferência recai pelo tipo carioca, com exceção da Zona da Mata, onde a preferência é por grãos de cores preta e vermelha. Assim, os maiores esforços têm sido direcionados à obtenção de novas cultivares com tipo de grão carioca seguidos pelos grãos pretos. Em menor escala, têm sido obtidas cultivares com grãos rajados, rosinha e roxinho que, apesar de serem preferidos por uma menor parcela da população, alcançam melhores preços no mercado.