Cultivares de milho safrinha para 2011

Materiais genéticos desenvolvidos pela Embrapa oferecem diferentes vantagens de acordo com as regiões e condições a que são expostos

Breno Fonseca
Melhoramento genético

Competitividade e dinamismo da cultura. Esses são dois fatores essenciais para o desenvolvimento de um total de 498 variedades de milho na safra 2010/2011. Para o período da safrinha, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento recomendou 24 tipos que foram elaboradas pela Embrapa. Só a Embrapa Milho e Sorgo lançou dois híbridos simples e um triplo e outras duas cultivares.
 

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O pesquisador José Carlos Cruz aponta que este ano estão sendo cultivadas 362 sementes convencionais e 136 transgênicas e que 71 foram introduzidas no mercado, enquanto 34 saíram de cena. De acordo com José Carlos, isso acontece todos os anos, tanto na safra quanto na safrinha. Dados da Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem) mostram que o milho é a cultura na qual mais se compra semente. A adoção de variedades melhoradas é de 85%. Só para comparar, este valor para a sojicultura é de 50%.
 

— Com tantos híbridos no mercado, podemos dizer que é impossível o agricultor não achar sementes próprias para a sua produção. A primeira atitude é encontrar a variedade adaptada à condições climáticas da sua região. O agricultor tem que estar atento. É muito comum, por exemplo, produtores comprarem sementes em lugares distantes. O potencial e estabilidade produtiva, a tolerância a doenças e o nível tecnológico da propriedade também devem ser levados em consideração. Para altas tecnologias, seguramente deve-se usar sementes de maior potencial, geralmente híbridos simples ou triplos, mais caros e de maior produtividade. Se não há condições de adubação adequada ou bom plantio, é melhor utilizar uma variedade ou híbrido duplo — explica José Carlos.
 

Os materiais lançados pela Embrapa foram classificados em três grupos de características homogêneas. As cultivares do Grupo I, da emergência à maturação fisiológica, apresentam desenvolvimento menor que 120 dias. As do Grupo II, entre 120 a 145 dias, e do Grupo III, acima de 145 dias. Também da Embrapa Milho e Sorgo, o pesquisador Paulo Evaristo de Oliveira Guimarães ressalta a BRS 3035, do grupo III, como um material lançado recentemente e de ciclo super precoce com maiores chances para o plantio tardio. A 3035 tem menor potencial, porém é indicado para o fechamento da safrinha, pois é tolerante a secas e geadas.
 

Do núcleo II, os destaques são a BRS 1040 e a BRS 1010, ambas híbridos simples, com ampla estabilidade de produção e resistentes à maioria das enfermidades que afetam as plantações. Paulo Evaristo comenta que são materiais rústicos, chamados eficiente-responsivos. O triplo 3025 também merece atenção para o plantio em fevereiro, assim como as cultivares do Grupo I, que oferece opções diferenciadas, como a BRS 1055, BRS 1060, BRS 2020, BRS 2022, BRS 3040, BRS 4103 e BRS Caimbé. Todas foram lançadas após intensivos testes na safrinha. Apesar de terem um custo elevado, os híbridos simples 1055 e 1060 possuem maior potencial produtivo em regiões de menor risco. O triplo 3040 já é destinado a propriedades com alta tecnologia e os duplos 2020 e 2022 interessantes para os agricultores que não tem condições para alto investimento ou estão em regiões de alto risco de safrinha no mês de março.
 

— Em algumas regiões, o plantio da soja foi atrasado e consequentemente o do milho safrinha. Quando se espera produtividade mais baixa, riscos maiores e poucas condições de investimento, as variedades 4103 e Caimbé são mais adaptadas. Em todas as condições, os híbridos produzem mais. Num ambiente como o semiárido, por exemplo, onde se espera a colheita de menos de uma tonelada de milho por hectare, esses dois tipos alcançam esse resultado — esclarece Paulo, explicando ainda que nenhuma das cultivares é tolerante a todas as doenças existentes no Brasil e que a resistência intermediária às enfermidades varia dependendo das regiões.

Limitações na safrinha

Outras sementes disponibilizadas pela Embrapa são a BR 106, BR 205, BR 206, BR 451, BR 473, BRS 1030, BRS 1031, BRS 2020, BRS 2223 e BRS Sol da Manhã, do Grupo I, e BRS 3003, BRS 3060 e BRS 3150, do Grupo II, não indicadas quando ocorre o atraso do plantio devido à semi-precocidade. Paulo Evaristo ainda aconselha os proprietários rurais a nunca utilizarem somente uma única cultivar.
 

— É preciso fazer uma combinação de híbridos, conforme até muitas empresas privadas recomendam. Em fevereiro, deve-se dar ênfase a materiais de alto potencial de produção, híbridos simples semi-precoces ou precoces. No início de março, concentrar-se em materiais mais baratos e semi-precoces. Quando a safrinha é tardia, o produtor vai reduzindo os investimentos, porque sabe que os riscos de produção são maiores — finaliza.
 

Por ser cultivado após o verão, o milho safrinha pode ser afetado pelo regime intenso de chuvas e por limitações de radiação solar e de temperatura na fase final do ciclo. Por conta disso, foi feito um zoneamento agrícola, a partir de análises térmicas e hídricas, para identificar municípios e períodos de semeadura nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás e Distrito Federal.
 

— O milho é plantado em cerca de 12 a 13 milhões de hectares, sendo de 7 a 8 milhões na safra e 4 milhões na safrinha. Viemos de um período em que o preço não estava tão animador, mas hoje o agricultor já está com melhores perspectivas. O grosso da produção de milho vai para rações de suínos e aves, ou seja, faz parte de importantes cadeias produtivas. Aliás, percebemos que muitos países que não plantavam milho, hoje o fazem para evitar importação. O Brasil pode ser considerado o terceiro maior exportador de milho do mundo, depois dos EUA e Argentina — conclui José Carlos Cruz.
 

Para maiores informações, basta entrar em contato com a Embrapa Milho e Sorgo pelo telefone (31) 3027-1267 ou na página www.cnpms.embrapa.br.