Cultivo consorciado de forrageiras aumenta a produtividade

O resultado dessa ação é um incremento de matéria seca por hectare na produção

Margareth Santos
Manejo

O cultivo consorciado de guandu, sorgo e milheto (forrageiras) oferece algumas vantagens para o produtor, entre elas a melhor exploração do solo, a produção de forragem e seu armazenamento na forma de silagem ou feno, para minimizar a necessidade de forragem da região no período seco. Foi o que constatou estudo da Embrapa Semiárido, em parceria com a Universidade da Filadélfia, nos EUA, segundo os coordenadores Francisco Pinheiro de Araújo e Rose Guedes.

— O guandu é uma espécie que pode ser cultivada em área onde existe uma camada mais compactada e onde as raízes das gramíneas não conseguem penetrar. Ele busca na camada mais profunda do solo, por exemplo, o fósforo que está indisponível para as demais culturas. Além disso, ele é hábil em produzir folha com cerca de 18% a mais de proteína bruta, comparado ao sorgo e milheto que produzem 10%, melhorando essa qualidade — comenta Araújo.

"associar as três
facilitou o
fornecimento de
forragem em épocas
diferenciadas"


 Francisco Araújo,
 Embrapa Semiárido

O resultado dessa ação é um incremento de matéria seca por hectare na produtividade. Nas culturas isoladas, não ocorre a ajuda mútua entre a leguminosa e a gramínea. Por outro lado, o consórcio altera a fisiologia das plantas gerando competição por luminosidade e, consequentemente, uma aceleração no desenvolvimento das espécies.

— Nessa proposta, nós trabalhamos com seis tratamentos: guandu isolado, guandu com milheto, guandu com sorgo, guandu com sorgo e milheto, cultivado na mesma linha, o milheto isolado e o sorgo isolado. Associar as três facilitou o fornecimento de forragem em épocas diferenciadas e a proteção do solo, que terá sempre uma espécie pronta para ser colhida — esclarece.

De acordo com o pesquisador, o produtor deve plantar o guandu logo na primeira chuva e somente após dez dias entrar com o plantio do milheto e do sorgo, para fomentar uma competição razoável em termos de desenvolvimento. O processo é voltado para os agricultores familiares, sendo inviável para a produção mecanizada de grandes áreas. A metodologia melhora o ambiente, aproveita melhor o espaço da produção e favorece a fertilidade natural do solo, fazendo com que o agricultor economize com adubos e forragens.