Cultivo irrigado: tecnologias elevam produtividade a 9 t/ha

Além de variedades modernas, sistematização, drenagem e análise de solos são fundamentais para que os produtores consigam atingir altas produtividades

Juliana Royo
Manejo

Já existem muitas variedades modernas de arroz irrigado que prometem altas produtividades de até 9 toneladas por hectare, um exemplo são as cultivares BRS Tropical, SCSBRS Tiutaca e BRS Alvorada, lançadas recentemente. No entanto, elas só conseguem alcançar o potencial produtivo se foram manejadas de forma correta com o auxílio de tecnologias igualmente modernas. No caso do arroz irrigado para o Estado de Pernambucano, a sistematização, a drenagem, a análise de solos, o manejo de insumos e de irrigação são fundamentais para o desenvolvimento dos materiais cultivados.

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Durante um Dia de Campo em Cabrobó, Pernambuco, o técnico José Alves, da Embrapa Transferência de Tecnologia, falou sobre a importância do uso correto de todas as tecnologias que envolvem a produção, recomendou cultivares para a região e ensinou a melhor forma de manejar o arroz irrigado. Segundo ele, o erro mais comum dos produtores é não fazer a análise de solos, que é um instrumento fundamental para o sucesso da adubação. Somente através da análise enviada ao laboratório é que o produtor fica sabendo exatamente as necessidades nutricionais do solo e pode calcular com precisão a quantidade de insumos que serão aplicados. Alves ressalta que além do fósforo e do potássio, o nitrogênio é de alta importância para o arroz irrigado e, muitas vezes, os agricultores não fornecem a quantidade de nitrogênio necessária.

— Estas três variedades recomendadas são do tipo moderno, mais precoces, com porte menor, o que diminui o problema de acamamento no arroz irrigado e apresentam boa qualidade do grão, especialmente a BRS Tropical que foi lançada recentemente com o este intuito e com tipo de grão longo fino. Elas têm potencial de atingir 8 a 9 toneladas, entretanto, os produtores não estão conseguindo boas produtividades porque eles não estão adotando todas as tecnologias que existem para se obter esta boa produtividade. Estamos levando conhecimentos novos para os produtores porque as novas tecnologias juntas vão fazer com que as variedades consigam mostrar todo o seu potencial produtivo. A sistematização e a drenagem praticamente não existem nesta região e têm levado à salinização do solo. Com estas falhas, a produtividade fica em torno de 5 toneladas por hectare na região, o que já é baixo para arroz irrigado hoje em dia — destaca Alves.

O técnico da Embrapa explica que a sistematização é importante porque a planta exige uma lâmina de água frequente na área plantada e, para isso, ele diz que é necessário fazer tabuleiros sistematizados que facilitam a manutenção desta lâmina. Sem a sistematização da lâmina pode ocorrer a salinização. Alves também fala sobre as épocas ideais de plantio, que ocorrem duas vezes ao ano. A primeira em fevereiro, para colheita em junho, e a segunda em julho, para colheita até dezembro, antes das primeiras chuvas. A melhor produção acontece no segundo semestre quando as temperaturas na região são mais altas e a incidência de luz solar é maior.

Em relação à sanidade, o arroz irrigado da região produtora de Pernambuco não sofre com doenças por causa das altas temperaturas e baixa umidade, que não facilitam o desenvolvimento da brusone, a principal doença da cultura. Na questão das pragas, as principais são o percevejo do grão e o percevejo do como. O primeiro, ataca o grão na fase leitosa, segundo o especialista, fazendo com que ele fique murcho e quebre com facilidade.

— De 2004 pra cá houve uma queda muito grande da produção de arroz irrigado, na região, pela queda dos preços, os produtores não conseguiram melhorar os níveis de produtividade e saíram da atividade. Porém, sabendo das novas tecnologias para aumentar a produtividade eles estão voltando porque, uma vez que você tem um custo alto de produção, a única forma de resolver isso é com altas produtividades e temos variedades com potencial bastante produtivo. Mas é também preciso aplicar outras práticas para que o arroz demonstre todo o seu potencial produtivo e assim os produtores consigam obter pelo menos 7 mil quilos por hectare — diz Alves.