Cultivo orgânico da batata

Menor incidência de doenças e alta produtividade provam que cultivares rústicas podem conquistar o mercado

Breno Fonseca
Agricultura Orgânica

Nascida como tese de doutorado, a pesquisa “Cultivares para o sistema orgânico de produção de batata”, do agrônomo Fabrício Rossi, foi realizada durante dois anos com a preocupação de incentivar a produção orgânica de certas variedades de batatas. Os trabalhos foram conduzidos entre 2007 e 2008 na estação experimental agroecológica do pólo regional do leste paulista da Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), em Monte Alegre do Sul, e no Sítio Orgânico Pereiras, no município de Socorro.

Foram colocadas em experimentação 14 cultivares convencionais, já em campo nos setores público e privado, e mais quatro clones avançados, materiais experimentais do Instituto Agronômico de Campinas (IAC). A intenção era identificar aquelas que apresentassem maior produtividade e também maior fragilidade ao ataque natural de pragas e incidência de doenças como a requeima, a pinta preta e certas doenças fúngicas limitantes para a cultura.

— Essas doenças são responsáveis pela redução de área foliar, do ciclo vegetativo, o que compromete a produtividade principalmente das batatas cultivadas organicamente – explica o orientador da pesquisa e professor do departamento de Produção Vegetal da Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, Paulo César Tavares de Melo.

Melo: "Produção de batata semente de origem orgânica praticamente não existe no Brasil em escala comercial"

Após as análises feitas em campo e em laboratório, algumas cultivares consideradas rústicas, apresentaram alto potencial de rendimento, equiparando-se à média produtiva de batatas do mercado tradicional. Em 2008, por exemplo, a produção chegou a alcançar uma marca de 25 toneladas por hectare, com incidência menor de doenças, mesmo não sendo utilizado nenhum tratamento químico. Destacaram-se as cultivares Cupido, Apuã, Monte Alegre 172, Itararé e os clones avançados APTA 16.5, APTA 21.54 e Ibituaçú.

— O resultado mais importante é ter mostrado que as variedades rústicas podem ser resgatadas. Mas é necessário ter semente. É importante que os produtores tenham consciência de que a produção de batata semente de origem orgânica praticamente não existe no Brasil em escala comercial. Ou elas são provenientes do sistema orgânico ou de algum produtor que não consegue atender todo o segmento. É um entrave que precisa ser resolvido — alerta Paulo César Tavares de Melo.