Cultivo protegido dá maior segurança e garantia de qualidade

Técnica evita exageros climáticos, minimiza ataques de pragas e doenças e melhora nutrição das plantas

Juliana Royo
Manejo

O cultivo protegido é uma técnica que pode ser usada em qualquer cultura e tem como objetivo evitar que as plantas sofram estresses climáticos como excesso de chuva e granizo, além de  minimizar o ataque de insetos-praga e doenças. A estrutura de plástico, uma espécie de estufa, ou a chamada casa de vegetação, onde as culturas são cultivadas, dá mais proteção ao plantio. Com maiores cuidados e nutrientes aplicados diretamente na planta, o resultado final são plantas mais saudáveis.

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Existem três tipos de cultivo protegido que devem ser usados em diferentes situações: o que é feito diretamente no solo, o cultivo protegido com substratos e o cultivo protegido em água. O primeiro é similar ao cultivo feito em céu aberto, só que, como as plantas estão protegidas, não recebem água da chuva, apenas da irrigação. Para melhorar a eficiência do manejo de nutrientes, a fertirrigação é uma ótima opção para ser usada com o cultivo protegido em solo, porque acrescenta os nutrientes à água que irriga as plantas, então irriga e nutre ao mesmo tempo, poupando custos e melhorando a eficiência. Já o cultivo protegido com substratos é bem diferente do tradicional.

— O cultivo protegido feito com substratos é usado principalmente quando você tem algum problema relacionado ao solo (problemas de doenças, de compactação ou problemas de salinização, que é um dos principais entraves do cultivo protegido feito em solo porque não tem drenagem, apenas evapotranspiração e pode concentrar sais na superfície do solo) e deve ser um meio totalmente inerte, que tenha a única função de sustentar a planta e com características físicas muito importantes para favorecer o crescimento radicular — explica o especialista em hidroponia e em nutrição mineral de plantas Pedro Roberto Furlani, que é sócio da empresa Conplant.

Outro tipo de cultivo protegido é o chamado hidropônico, feito em água. Segundo o especialista, neste sistema o solo ou substrato é inteiramente substituído por uma solução nutritiva contendo todos os elementos minerais essenciais as plantas. O cultivo hidropônico também pode ser divido em três. O mais utilizado no Brasil é o cultivo hidropônico NFT (sigla de Nutrient Film Technique, conhecida como técnica do fluxo laminar de nutrientes).

"Resultados com
 todos os tipos de
 cultivo protegido
 são muito bons"


 Pedro Roberto Furlani,
 da Conplant

— Com esta técnica, as raízes ficam acomodadas em uma canaleta onde são banhadas intermitentemente por uma solução nutritiva. Tem também o Sistema Aeropônico, onde as raízes das plantas ficam suspensas num reservatório e recebem intermitentemente uma pulverização com solução nutritiva. Este sistema tem sido usado para a produção de batata-semente. Já no Sistema de raiz flutuante, ou piscinão, as raízes ficam mergulhadas numa solução nutritiva completa e oxigenada, mas ele é muito pouco usado entre nós — ensina Furlani.

Os resultados com todos estes tipos de cultivo protegido são muito bons e têm feito cada vez mais produtores utilizarem as técnicas. Só que para obter plantas mais saudáveis e fazer com que a tecnologia seja realmente eficiente é preciso ter cuidados básicos, que começam na construção das estufas. O produtor deve fazer uma estufa ou casa de vegetação que tenha o pé-direito alto para minimizar o aumento da temperatura e não causar um superaquecimento. O plástico que vai fazer esta cobertura também tem que ser adequado para filtrar componentes da luz e bem instalado no local. Conhecer o solo, a planta que está sendo cultivada e a água também é muito importante. Se o agricultor escolher pelo cultivo protegido em solo, deve fazer uma análise para entender melhor os seus componentes, pode também fazer uma análise química da água e conversar com especialistas e outros agricultores sobre as especificidades de cada planta.

— Você tem que conhecer o meio onde vai cultivar. Se é solo, conhecer o solo, fazer uma análise química para saber o que o solo possui de limitação ou vantagens. Conhecendo o solo, conhecendo o substrato e conhecendo a água que você vai utilizar para irrigação, você consegue formular o manejo nutricional que vai atender o que a planta necessita. Esse é o principal enfoque em cultivo protegido: conhecer o ambiente para que você possa tomar decisões que vão maximizar a produção e favorecer a maior eficiência de utilização dos nutrientes. Quando nós falamos em adubação, falamos em fornecer os nutrientes para planta e não fornecer os nutrientes para o solo ou para as águas subterrâneas. Aqui no Brasil o cultivo protegido está crescendo muito porque você tem uma garantia maior de qualidade de produtos — diz Furlani.

"Plástico que faz a
 cobertura deve ser
 adequado para filtrar
 componentes da luz"