O cultivo protegido é uma técnica que pode ser usada em qualquer cultura e tem como objetivo evitar que as plantas sofram estresses climáticos como excesso de chuva e granizo, além de minimizar o ataque de insetos-praga e doenças. A estrutura de plástico, uma espécie de estufa, ou a chamada casa de vegetação, onde as culturas são cultivadas, dá mais proteção ao plantio. Com maiores cuidados e nutrientes aplicados diretamente na planta, o resultado final são plantas mais saudáveis.
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Existem três tipos de cultivo protegido que devem ser usados em diferentes situações: o que é feito diretamente no solo, o cultivo protegido com substratos e o cultivo protegido em água. O primeiro é similar ao cultivo feito em céu aberto, só que, como as plantas estão protegidas, não recebem água da chuva, apenas da irrigação. Para melhorar a eficiência do manejo de nutrientes, a fertirrigação é uma ótima opção para ser usada com o cultivo protegido em solo, porque acrescenta os nutrientes à água que irriga as plantas, então irriga e nutre ao mesmo tempo, poupando custos e melhorando a eficiência. Já o cultivo protegido com substratos é bem diferente do tradicional.
— O cultivo protegido feito com substratos é usado principalmente quando você tem algum problema relacionado ao solo (problemas de doenças, de compactação ou problemas de salinização, que é um dos principais entraves do cultivo protegido feito em solo porque não tem drenagem, apenas evapotranspiração e pode concentrar sais na superfície do solo) e deve ser um meio totalmente inerte, que tenha a única função de sustentar a planta e com características físicas muito importantes para favorecer o crescimento radicular — explica o especialista em hidroponia e em nutrição mineral de plantas Pedro Roberto Furlani, que é sócio da empresa Conplant.
Outro tipo de cultivo protegido é o chamado hidropônico, feito em água. Segundo o especialista, neste sistema o solo ou substrato é inteiramente substituído por uma solução nutritiva contendo todos os elementos minerais essenciais as plantas. O cultivo hidropônico também pode ser divido em três. O mais utilizado no Brasil é o cultivo hidropônico NFT (sigla de Nutrient Film Technique, conhecida como técnica do fluxo laminar de nutrientes).
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— Com esta técnica, as raízes ficam acomodadas em uma canaleta onde são banhadas intermitentemente por uma solução nutritiva. Tem também o Sistema Aeropônico, onde as raízes das plantas ficam suspensas num reservatório e recebem intermitentemente uma pulverização com solução nutritiva. Este sistema tem sido usado para a produção de batata-semente. Já no Sistema de raiz flutuante, ou piscinão, as raízes ficam mergulhadas numa solução nutritiva completa e oxigenada, mas ele é muito pouco usado entre nós — ensina Furlani.
Os resultados com todos estes tipos de cultivo protegido são muito bons e têm feito cada vez mais produtores utilizarem as técnicas. Só que para obter plantas mais saudáveis e fazer com que a tecnologia seja realmente eficiente é preciso ter cuidados básicos, que começam na construção das estufas. O produtor deve fazer uma estufa ou casa de vegetação que tenha o pé-direito alto para minimizar o aumento da temperatura e não causar um superaquecimento. O plástico que vai fazer esta cobertura também tem que ser adequado para filtrar componentes da luz e bem instalado no local. Conhecer o solo, a planta que está sendo cultivada e a água também é muito importante. Se o agricultor escolher pelo cultivo protegido em solo, deve fazer uma análise para entender melhor os seus componentes, pode também fazer uma análise química da água e conversar com especialistas e outros agricultores sobre as especificidades de cada planta.
— Você tem que conhecer o meio onde vai cultivar. Se é solo, conhecer o solo, fazer uma análise química para saber o que o solo possui de limitação ou vantagens. Conhecendo o solo, conhecendo o substrato e conhecendo a água que você vai utilizar para irrigação, você consegue formular o manejo nutricional que vai atender o que a planta necessita. Esse é o principal enfoque em cultivo protegido: conhecer o ambiente para que você possa tomar decisões que vão maximizar a produção e favorecer a maior eficiência de utilização dos nutrientes. Quando nós falamos em adubação, falamos em fornecer os nutrientes para planta e não fornecer os nutrientes para o solo ou para as águas subterrâneas. Aqui no Brasil o cultivo protegido está crescendo muito porque você tem uma garantia maior de qualidade de produtos — diz Furlani.
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