Cultura de tecidos vegetais para produção de mudas

Técnicas viabiliza protocolo para produção de mudas de mangaba

Nivea Schunk
Sementes e Mudas

A pesquisa da Embrapa Tabuleiros Costeiros sobre cultura de tecidos para produção de mudas traz diversos benefícios à agricultura. O viés mais utilizado é a capacidade natural de regeneração das células vegetais, que possibilitam a produção rápida de mudas num espaço físico menor. No entanto, a pesquisadora Ana Ledo explica que a técnica também auxilia programas de melhoramento e conservação de recursos genéticos.

Conduzidas em laboratórios climatizados às condições necessárias, as experiências iniciaram há cerca de dez anos com o coqueiro. Posteriormente, os trabalhos se expandiram para outras espécies frutíferas, medicinais e ornamentais.

— No decorrer desses experimentos, surgem os novos protocolos que permitem a geração efetiva dos clones com preservação de genes. Porém, a cultura de tecidos tem outras aplicabilidades, como viabilizar a transferência dos bancos de germoplasma das estações experimentais para os laboratórios — ressalta Ana.
 
Após a coleta de matrizes de flores e folhas produtivas e resistentes, essas células passam por uma limpeza com álcool e alvejantes. Feito isso, vem a fase da inoculação num meio previamente esterelizado, que oferece uma série de vitaminas e sais minerais. Em alguns casos, há inserção de hormônios reguladores de crescimento. Antes de ser levado a campo, o material passa ainda pela sala de crescimento até atingir a etapa da aclimatação.

Além dos resultados excelentes com o coco, a grande novidade é a produção de mudas de mangaba nativa do nordeste. A variedade local da fruteira apresenta dificuldade de multiplicação pelos métodos tradicionais de enxertia. A implementação da tecnologia garante a chegada de um material com identidade genética e propriedades fitossanitárias até o produtor.