Culturas ameaçadas pela ação do tempo

Impactos das mudanças climáticas sobre a agricultura brasileira e problemas fitossanitários geram alternativas para o desenvolvimento de novas cultivares

Breno Fonseca
Manejo

As mudanças climáticas exercem grande influência sobre pragas e doenças que afetam as principais plantações do Brasil. Para fazer a previsão de futuros problemas fitossanitários, o projeto “Climapest” é uma rede de 134 pesquisadores de 37 instituições do país, visando o comportamento das pragas e o fomento de cultivares mais resistentes diante dos efeitos da temperatura, do aquecimento global, do aumento da concentração de gás carbônico na camada de ozônio e dos raios ultravioleta.

As culturas selecionadas para a pesquisa foram: soja, café, laranja, milho, forrageiras, espécies florestais, maçã, pêssego, banana, manga, uva, mandioca, algodão, mamona, coco e dendê. E os programas de melhoramento lançados pela Embrapa Meio Ambiente e coordenados pela pesquisadora Raquel Ghini têm ainda a finalidade de adaptar certas espécies a determinadas condições climáticas. Afinal, com as mudanças no clima decorrentes do aquecimento global, algumas espécies deverão ser transferidas para outras regiões. De acordo com Raquel, isso gera transformações nos patógenos e em toda a microbiota associada às plantas.

— No cenário futuro podemos ter diversas alterações, tanto benéficas quanto prejudiciais. Algumas doenças podem diminuir, mas outras podem aumentar – alerta a pesquisadora.

Raquel Ghini aponta os microrganismos fitopatogênicos e as pragas como indicadores fundamentais dos impactos climáticos devido ao grande número de populações, facilidade de multiplicação e dispersão e o curto tempo entre gerações. Além disso, são os principais fatores de redução da produtividade e colocam em risco a sustentabilidade do agroecossistema. No entanto, mesmo com a pesquisa em seu primeiro ano, alguns resultados já vêm sendo apresentados, como a diminuição da incidência da sigatoka-negra, uma das doenças mais temidas no cultivo da banana.

— A pesquisa precisa estar alguns anos a frente do problema porque nós precisamos de tempo para desenvolver novas cultivares. Então, esse projeto vai dar um direcionamento do que deve ser feito para se obter soluções com variedades resistentes ou novos métodos de controle ou controle biológico para que, quando o agricultor tiver esse problema na prática, a pesquisa já tenha uma solução para lhe fornecer – explica Raquel.