A abordagem prática da publicação “Plantio Direto no Cerrado: 25 anos acreditando no sistema” aponta desafios e soluções para os atuais problemas da técnica na região. De autoria do engenheiro agrônomo Nilvo Altmann, o livro lançado recentemente discute as limitações do sistema como medida de emergência e propõe a adoção de pré-requisitos básicos para que o incremento de produtividade perdure a longo prazo. Diretor técnico da SIGMA Consultoria e do GVS Centro de Pesquisas e Tecnologia Agrícola, o consultor ressalta que, mesmo sem estar devidamente disseminado por todo o território nacional, o Plantio Direto é um importante fator de diminuição da poluição dos corpos hídricos.
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Com revolvimento mínimo e perda de terra inferior a meia tonelada por hectare ao ano, o sistema economiza fertilizantes e água, retendo a umidade no solo por mais tempo. O redimensionamento da utilização da mão-de-obra e do maquinário reduz também o consumo de energia de três para meio CV (medida de potência) por hectare. Somado a isso, a pró-eficiência da lavoura e a diminuição de perdas na estiagem ocasiona a queda nos custos de produção. O Plantio Direto abrevia as perdas erosivas, evitando assoreamento de rios e aumentando a durabilidade das barragens.
— No caso de Itaipu, se o Paraná não tivesse adotado o Plantio Direto, certamente já estaria operando com redução drástica do potencial. É isso que buscamos para o Cerrado brasileiro: termos uma sustentabilidade do sistema de produção reduzindo os impactos ambientais — comenta.
Como sugestões práticas, a análise prévia do regime adotado é fundamental, uma vez que as necessidades diferem bastante entre o Plantio Direto e o convencional. A partir daí, é preciso trabalhar a calagem, gessagem e descompactação do solo. Mais dinâmico e racional, o uso dos insumos permite adubar melhor as culturas mais responsivas, disponibilizando o resíduos nutricionais àquelas menos reativas. Altmann diz que o caminho é aprender com o curso da natureza, utilizando as ferramentas disponíveis para garantir condições ideais às plantas.
— Enquanto o preparo convencional é uma agressão à terra para conseguir implantar uma cultura, o intuito da técnica é fazer com que a natureza se encarregue da escalificação em profundidade. As matas estão aí há milhões de anos sem precisar de escalificação. Outro paradigma quebrado é o cultivo de tomates em Plantio Direto, que não só é possível como evita o apodrecimento do fruto — explica.
O autor enfatiza a necessidade de considerar as particularidades climáticas de cada região. As próprias fases do ciclo local divergem em relação à porção Sul. O Cerrado tem condições tropicais com dinâmica de matéria orgânica totalmente diferente de outras partes do País. Sendo assim, o processo ocorre de maneira mais rápida, apressando também a decomposição da palhada, de modo que é preciso adicionar muito mais palha para obter o mesmo efeito.
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