O descarte de carcaças de animais da fazenda é um assunto sério que deve ser encarado com responsabilidade pelo produtor. A carcaça do animal pode conter bactérias ou patógenos de doenças que contaminam o meio ambiente e o solo, além de causarem problemas de saúde humana. O descarte correto deve ser feito em uma cova com, pelo menos, um metro de profundidade com cobertura de terra em um local plano e longe de lagos ou rios e é recomendado que seja feita a queima total da carcaça, dentro da própria cova.
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Outro costume de alguns produtores que não pode ser feito é arrastar estas carcaças até o local de descarte. Elas devem ser transportadas por um veículo para não entrarem em contato com o solo, ao longo do caminho, e não contaminarem a terra por onde passam. Um ponto muito importante é o uso de equipamentos individuais seguros por parte de quem estiver manejando o descarte e o transporte. É preciso usar luvas e botas de borracha, que devem ser desinfetadas após o uso, assim como o veículo usado na operação.
— A recomendação que nós damos prioritariamente seria enterra as carcaças ou partes delas em covas profundas, de aproximadamente 1,5 metro de cobertura de terra acima das carcaças, ou seja, ela deve ter 2 metros de profundidade. Essa medida evita também o acesso de moscas ou outros animais como carnívoros e roedores. Nós enfatizamos mais ainda a necessidade da queima, justamente para reduzir o risco ambiental, que pode e deve ser realizada dentro da própria cova onde vão ficar os restos. Além disso, no caso de manipulação de carcaças de animais doentes ou com suspeita de doenças infectocontagiosas nós frisamos que é muito importante o uso de equipamento individual por parte de quem está manipulando isso — enfatiza a médica veterinária Vanessa Felipe, pesquisadora da Embrapa Gado de Corte.
Em caso de impossibilidade de um local adequado para a construção da cova, a pesquisadora recomenda que seja feita um aceiro, em que se faz uma pequena valeta em torno do animal no local onde ele foi abatido ou encontrado morto. Dentro deste aceiro, manejado corretamente, o animal também pode ser queimado, sem que haja risco de que a queima se espalhe pela propriedade. Outra opção de descarte é a compostagem, que é um processo onde a carcaça é posta em uma leira, juntamente com outras resíduos, é fermentada e vai se decompondo. Como a temperatura do processo de compostagem é muito alta, os possíveis patógenos de doença presentes na carcaça são mortos pelo calor.
— A escolha do local é uma questão fundamental para o descarte de carcaça do animal, independente dele ser sadio ou doente. O que nós recomendamos é que o local destinado ao enterrio e queima seja distante de águas superficiais, de leitos de água, e as áreas com inclinação acentuada devem ser evitadas. Isso vai reduzir o risco da drenagem de matéria orgânica e microorganismos patogênicos que são capazes de contaminar o lençol freático que vai posteriormente abastecer fontes de água de uso humano ou animal —explica.