Desempenho agroeconômico de cenoura e alface em consórcio com manjericão e melissa

O consórcio favorece o cultivo de hortaliças e gera benefícios econômicos aos produtores rurais

Breno Fonseca
Manejo

O trabalho da pesquisadora Janaína Ribeiro Oliveira, do Instituto de Ciências Agrárias (ICA) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), tem por objetivo avaliar o desempenho agroeconômico da cenoura e da alface quando consorciadas com manjericão e melissa. Avaliadas também pela viabilidade econômica, as hortaliças cultivadas em conjunto foram comparadas às produzidas em monocultivo.

Realizada numa área experimental do ICA, em Montes Claros, a pesquisa partiu da produção de mudas das quatro espécies. A cenoura foi cultivada por semeadura direta, a alface, por sementeira, a melissa, em bandeja de isopor, e o manjericão, por estaquia. A alface foi colhida 30 dias após o plantio e a cenoura, depois de 90 dias. A primeira foi avaliada pelo diâmetro do caule, número de folhas por planta, matérias seca e fresca e produtividade. Já a cenoura foi analisada pelo comprimento, diâmetro da raiz, matérias seca e fresca também e produtividade total e comercial, além da classificação de raízes.

As combinações foram feitas em duplas entre o alface e a cenoura e das duas hortaliças com as duas plantas medicinais. Os consórcios são efetuados em canteiros separados e, ainda, as hortaliças são preparadas em monocultivo a título de confrontação. Segundo Janaína Oliveira, o consórcio não favoreceu o desenvolvimento da alface, já que todos os índices de produtividade foram inferiores aos do monocultivo. Porém, a reação da cenoura foi contrária, com significativa diferença estatística na produtividade total e comercial.

Outro indicador da pesquisa foi que a alface, quando combinada com a melissa, tem maior Uso Eficiente da Terra e maior renda líquida. E a cenoura obteve ganhos quando junto do manjericão.
— O manjericão foi o melhor companheiro tanto pra alface quanto pra cenoura, pois tem um porte mais alto que a melissa. Causa mais sombreamento, o que favorece um microclima.

Janaína ainda destaca que existem vantagens para os produtores no fato de incorporar uma planta medicinal ao plantio das hortaliças. Em primeiro lugar, é uma alternativa a mais de renda, agregando valor a essas espécies, que, no mercado, são vendidas por um custo elevado. Hoje, a folha seca da melissa é vendida a R$30,00 por quilo. Além dos benefícios econômicos, ainda há a autorregulação do sistema, o controle natural de plantas espontâneas e de insetos praga.