A Universidade Federal do Rio Grande do Sul realizou um trabalho com o objetivo de avaliar a campo as características agronômicas de plantas de três híbridos de milho inoculados com bactérias diazotróficas, cultivados com e sem adubação nitrogenada, na região da Depressão Central do Estado do RS.
O experimento foi conduzido no município de Eldorado do Sul, onde o solo é classificado como Argissolo Vermelho Distrófico típico. O delineamento experimental foi o completamente casualizado, com quatro repetições. Três híbridos (Pioneer P 32R48, Santa Helena 5050 e Agroeste 1575) foram testados com e sem inoculação e com e sem adubação nitrogenada. Os tratamentos foram: a) sem inoculação e sem adição de adubação nitrogenada - controle; b) com inoculação, sem adição de adubação nitrogenada; c) com inoculação + adição de 50 quilos de nitrogênio por hectare na base e d) com adição de 130 quilos de nitrogênio por hectare (50 quilos na base + 80 quilos em cobertura), sem inoculação.
Nos tratamentos com inoculação, as sementes de milho foram inoculadas com uma mistura de turfa estéril + 4 linhagens de bactérias diazotróficas em proporções iguais na concentração de 108 células por g de turfa. As bactérias diazotróficas utilizadas foram EL-S (Azospirillum brasilense, isolado de plantas de milho no município de Eldorado do Sul); LG1-R (Azospirillum lipoferum, isolado no município de São Luiz Gonzaga); M-S (Azospirillum oryzae, isolado no município de Marau); e a L-S (Azospirillum lipoferum, isolado no município de Livramento.
O experimento foi instalado ainda numa área manejada sob plantio direto há 17 anos, em área com cultivo anual anterior de milho, em sucessão à aveia-branca.
Quando as plantas estavam com três a quatro folhas, foi realizado desbaste mantendo-se 26 plantas por linha, para obtenção da densidade de 75.000 plantas por hectare. A adubação de fósforo (100 quilos por hectare de P2O5); potássio (100 quilos por hectare de K2O); e N (290 quilos de ureia por hectare no tratamento 130 quilos de nitrogênio por hectare; e 110 quilos de ureia por hectare no tratamento inoculado + 50 quilos de nitrogênio por hectare).
Essa fertilização seguiu a recomendação de adubação e calagem para os Estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina para a média tecnologia, por ser o nível mais utilizado entre os produtores do Estado do RS.
As plantas foram irrigadas por aspersão e receberam tratamentos fitossanitários, quando necessário.
Com base nos resultados, concluiu-se que: a) o genótipo do híbrido influencia a associatividade entre as bactérias e as plantas; b) a inoculação foi efetiva, sendo as raízes das plantas mais receptivas às bactérias diazotróficas do que os colmos; c) sem adubação nitrogenada na base, a inoculação de sementes com bactérias diazotróficas não se mostra eficiente independentemente do híbrido testado; d) a inoculação apresentou indícios de que, juntamente com a adição de dose de 50 kg de N ha-1 na base, houve uma performance equivalente à aplicação de 130 quilos de nitrogênio por hectare, sem inoculação.