Dia de Campo apresenta formas de controle do carrapato e da tristeza parasitária bovina

Emater-RS
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O Dia de Campo realizado nessa terça-feira (05/06), em Aceguá, tratou de um assunto bem conhecido dos produtores rurais da região: a tristeza parasitária bovina (TPB), transmitida, na maioria das vezes, pelo carrapato. Na ocasião, a pesquisadora da Embrapa Pecuária Sul, Cláudia Gomes, apresentou um panorama geral sobre o tema, abordando desde a transmissão até o controle da doença.

O evento teve início na parte da manhã, na propriedade do produtor Vilson Kühn. A pesquisadora alertou para a necessidade de tratar os bovinos doentes de forma calma, com água e comida à vontade. Isso porque a doença pode comprometer a oxigenação dos tecidos, fazendo com que os animais, se submetidos ao estresse, sofram um choque cardiorrespiratório e a consequente morte súbita.

Depois, Cláudia mostrou os três agentes causadores da TPB: babesia bovis, transmitido pela larva do carrapato; babesia bigemina, transmitido pela ninfa do carrapato; e anaplasma marginale, que pode ser transmitido pela larva do carrapato e por insetos como moscas, mosquitos e mutucas. Nos dois primeiros casos, o tratamento é o mesmo e o período pré-doença é de sete a 12 dias. No terceiro caso, esse tempo é de 20 a 40 dias, e o tratamento é diferenciado. “Essa é uma dificuldade que o produtor encontra no campo, pois são três causadores e é difícil saber qual é”, disse Cláudia ao explicar a necessidade do exame em laboratório.

Para a pesquisadora, é preciso haver a manutenção de condições que possibilitem a estabilidade em relação à TPB. Animais jovens, entre sete e dez meses, defendem-se melhor da doença. Por isso, na ausência de recursos para imunização, é preciso que, de forma controlada e durante a primavera, os animais sejam expostos aos carrapatos. “Temos que deixar o terneiro carrapatear. Este é o pulo do gato para deixar os adultos mais resistentes”, destacou.

Dessa forma, os bovinos conseguem gerar uma espécie de vacina natural. Mas para isso é preciso cuidado e são necessárias medidas de controle, tanto ao crescimento populacional, quanto ao estágio de desenvolvimento do carrapato. Ou seja, não é necessário deixar que o parasita chegue à fase adulta. Da mesma forma, o monitoramento da quantidade é importante. Se exposto a um baixo número de carrapatos, o animal não se acostuma e não cria a imunidade. Já quando existe carrapato em demasia, o boi pode não conseguir reagir à doença. “É preciso haver um equilíbrio”, alerta a pesquisadora.

Em regiões tropicais e subtropicais, onde há incidência de carrapato durante todo o ano, os terneiros tornam-se adultos resistentes à TPB, pois são imunizados naturalmente. Já em regiões como a de Bagé, as variações climáticas não são continuamente favoráveis à sobrevivência do carrapato. Assim, a infecção gerada pelo parasita varia conforme a estação do ano. O resultado aparece nos animais adultos, que poderão ser resistentes ou sensíveis à doença. Há ainda um terceiro caso, em regiões livres de carrapato ou de controle intensivo, em que os adultos serão sensíveis, pois nunca conviveram com o parasita transmissor da tristeza.

Controle químico
A pesquisadora relatou, no panorama atual, as dificuldades de controle químico do carrapato. “Novos produtos para tratamento não estão surgindo no mercado”, destacou. Por isso, Cláudia defende o manejo de resistência, através do uso correto e planejado dos produtos químicos. “Quanto mais vezes um produto é utilizado, mais rapidamente vem a resistência”, completou.

Outro alerta feito foi em relação à quantidade de larvas geradas por uma fêmea de carrapato: três mil. Assim, deixar o parasita cair no pasto pode estimular novos surtos que se tornam difíceis de controlar.

Abertura do evento
O Dia de Campo foi promovido pela Emater/RS-Ascar, Embrapa Pecuária Sul e Prefeitura de Aceguá, com apoio da Wavet. Durante a abertura do evento, que contou com cerca de 40 produtores da região, a médica veterinária da Emater/RS-Ascar, Roberta Medina, fez uma explanação sobre o cenário da produção rural do município de Aceguá.

Na ocasião, o assistente técnico regional da Emater/RS-Ascar Claudio Ribeiro destacou a importância de levar informações que ajudem os produtores rurais a trabalhar melhor. “Espero que iniciativas como esta contribuam com a produção, mas também com a organização dos produtores. É preciso que os produtores se reúnam, pois assim conseguem se ajudar mais”, destacou.

Já o prefeito de Aceguá, Gerhard Martens, ressaltou a importância do tema escolhido para o debate. “Este é um assunto atual sempre. Hoje vim aqui para aprender”, concluiu.