Dia de campo sobre erva-mate aborda desde plantio até consórcio com outras culturas

Rejane Paludo, Imprensa Emater/RS-Ascar
Manejo

Um Dia de Campo sobre Erva-Mate, realizado na última quinta-feira (24/08), na propriedade da ervateira Platina, em Guaporé, contou com três estações que enfocaram aspectos do plantio, adubação, manejo, preservação ambiental, poda e colheita. O evento foi promovido pela Emater/RS-Ascar, com apoio das entidades que compõe o Conselho de Desenvolvimento Rural de Guaporé e da Ervateira Platina. Participaram cerca de 70 pessoas, entre produtores de erva-mate, representantes do setor e lideranças do município.

Em relação à implantação de ervais, os agricultores foram orientados a adquirir mudas de qualidade, de viveiros conhecidos e idôneos, que colhem as sementes de erveiras nativas, adultas, com boas copadas e de boa sanidade.

Conforme o técnico em agropecuária da Emater/RS-Ascar de Arvorezinha, Cleber Schuster, é importante escolher uma área adequada, planejar e realizar a abertura de estradas, além de fazer a análise do solo com boa antecedência, para que, se necessário, seja possível providenciar a correção da fertilidade e descompactação antes da implantação do erval.

"A produção orgânica da erva-mate é plenamente possível, desde que se trabalhe com adubações orgânicas, aplicando diretamente no solo, além de uma outra prática importantíssima, que é a cobertura do solo com gramíneas e leguminosas no período de inverno e verão. E para este período recomendamos a soja, amendoim forrageiro, crotalárias, feijão de porco, trigo mourisco, entre outras", disse Schuster.

Já o engenheiro agrônomo César Burile, da Emater/RS-Ascar Regional de Lajeado, falou das pragas, doenças e poda. Burile foi enfático em dizer que as podas de colheita devem ser feitas de forma adequada, considerando os meses do ano. "A poda do erval é considerada a principal técnica para a recuperação da erva, já que ela estimula a formação dos brotos, que dão origem às folhas", destacou.

Outro tema abordado pela engenheira florestal da Emater/RS-Ascar, Adelaide Juvena Kegler Ramos, foi adequação ambiental da propriedade e sistemas agroflorestais. Segundo ela, a erva-mate é uma espécie nativa que pode ser uma oportunidade para promover a adequação ambiental em áreas de Reserva Legal e Áreas de Preservação Permanente em propriedades com passivo ambiental. "Assim, além de regularizar a propriedade e estar em conformidade com o Código Florestal, haverá a geração de renda", ressaltou.

Adelaide apresentou ainda as modalidades de consórcio da erva-mate com culturas agrícolas e florestais, os sistemas agroflorestais. "Não podemos esquecer que o mercado da erva-mate apresenta os seus altos e baixos. Nos dias atuais, por exemplo, o preço não está muito bom para o produtor. É preciso pensarmos em uma produção que agregue valor, como o consórcio com outras culturas, ou então investir na produção de um produto diferenciado, como a erva-mate sombreada ou a erva orgânica". No local, os participantes puderam conferir a diferença da erva-mate plantada e sombreada por pinheiros e a plantada a sol aberto. O sombreamento da erva-mate, através do plantio consorciado com outras árvores, melhora a qualidade, agrega valor ao produto e aumenta a renda dos produtores. "A erva-mate sombreada não tem suas propriedades químicas alteradas pela exposição ao sol", enfatiza a engenheira.

Adelaide e o engenheiro florestal da Emater/RS-Ascar Antônio Borba também apresentaram o Programa Gaúcho para a Valorização e a Qualidade da Erva-Mate, como uma oportunidade de qualificação dos diferentes atores envolvidos na cadeia produtiva, tendo em vista que o programa se propõe a trabalhar desde as boas práticas de produção e fabricação da erva-mate, a intensificação da assistência técnica, a certificação orgânica e a certificação no processo de produção e industrialização.