Médico veterinário, Geraldo de Nardi Junior, teve como objeto de seus trabalhos de mestrado e doutorado, os temas brucelose e leptospirose na bubalinocultura, desenvolvidos respectivamente na Universidade de São Paulo (USP) e na Universidade Estadual Paulista "Júlio de Mesquita Filho" (Unesp/Botucatu). Com intuito de contribuir para o diagnóstico efetivo das moléstias, as pesquisas identificaram a necessidade de intervalos de 390 e 190 dias, após a vacinação, para não haver comprometimento na constatação das infecções.
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— Na prática, um animal vacinado se torna positivo durante um determinado período porque está produzindo as defesas. Na maioria das vezes, os testes podem indicar falsos resultados. Então, o objetivo era saber em quanto tempo os animais não teriam mais título residual que os identificasse como doente — explica o pesquisador.
Extremamente importantes no contexto de saúde pública, essas zoonoses transmissíveis aos seres humanos são também responsáveis por incontáveis perdas econômicas à atividade, devido às perdas de animais e queda de produção. Nardi revela que guardada a diversidade das fontes de avaliação disponíveis, os prejuízos atingem cifras de 100 milhões de dólares por ano.
Com a ausência de produtos específicos para búfalos no mercado, a alternativa é utilizar vacinas produzidas para bovinos. Comparados aos resultados alcançados na bovinocultura, os bubalinos são menos responsivos sorologicamente em ambas as vacinas. A taxa de anticorpos diminui mais rapidamente.
Durante o experimento de campo o rebanho vacinado foi observado de perto por 720 dias, inicialmente com coletas de sangue quinzenais, que depois passaram ser mensais. No caso da brucelose foi feita uma aplicação nos animais com idade entre três e oito meses. Já para leptospirose, as doses são ministradas na fase adulta, com o primeiro reforços após trinta dias e ainda mais um seis meses depois.
— A partir dessas amostras, fizemos a soroaglutinação microscópica para observar a curva de aglutinina do búfalo com relação à leptospirose. Quanto à brucelose, os exames realizados foram o antígeno acidificado tamponado, a prova do 2-mercaptophenol e a fixação do complemento. E avaliamos a resposta sorológica do animal com relação a essas provas — conta ele.
Enquanto a imunização contra a leptospirose é indicada a propriedades que tenham problemas com a doença, as normas do Ministério da Agricultura exigem a vacinação contra brucelose em todas as fêmeas bovinas e bubalinas. Porém, a higiene das instalações também é fundamental para não comprometer a saúde do rebanho.
— Nós temos medidas gerais que seriam de controle do meio ambiente. Em relação à brucelose é preciso fazer a higienização onde ocorreu o abortamento e isolar o animal positivo. Para evitar a leptospirose é necessário controlar a presença de roedores e de áreas com acúmulo de água — alerta.