A bacteriose do maracujazeiro é uma doença que pode provocar a perda de até toda a produção. Uma vez instalada na lavoura, não há como fazer o combate através de produtos químicos, que não existem no mercado. Com isso, o produtor fica à mercê de técnicas como o plantio de capim alto, por exemplo. No entanto, para que certas técnicas sejam mais eficazes, é importante que seja feito um diagnóstico precoce da doença. Por isso, a Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (USP/Esalq) desenvolveu um método de diagnóstico precoce da doença através da análise de DNA da bactéria causadora. O método promete diagnosticar o problema mesmo quando ainda não apresenta sintomas.
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Para Segundo Maria Lúcia Vieira, professora do departamento de genética da USP/Esalq, a doença é causada por uma bactéria chamada Xanthomonas axonopodis que ataca várias culturas agrícolas. No caso do maracujá, ela provoca uma lesão nas folhas e nos frutos.
— Normalmente, a planta se defende derrubando as folhas infectadas, mas pode se tornar sistêmica e, com isso, levar ao apodrecimento dos frutos, à perda da produção e eventual morte — conta a professora.
De acordo com ela, a bactéria se desenvolve bem em períodos chuvosos e quando o clima está quente. No entanto, caso perdure na lavoura, ela pode causar até a perda de toda a produção. Para esse problema, não existe controle químico. Por isso, como explica Maria Lúcia, a única saída é proteger as plantas da incidência de muito vento, plantando capim alto em volta do pomar e diminuindo assim o número de lesões causadas por vento, ferramenta e outros.
— Dependendo da condição de clima, pode haver perdas de 30% a 100% da produção. Por isso, na Esalq, estudamos o DNA da bactéria e buscamos regiões que permitissem identificarmos essas sequências de DNA específicas das bactérias que atacam o maracujazeiro — diz.
Como relata a professora, a faculdade desenvolveu então um conjunto de iniciadores que fazem a síntese do DNA bacteriano em laboratório. Isso significa que em um pomar onde ainda não há a doença porque os sintomas não se desenvolveram, é possível fazer o diagnóstico precoce, mesmo sem os sintomas.
— Ao realizar o diagnóstico precoce em viveiros, por exemplo, as mudas vendidas contariam com a garantia de sanidade — afirma Maria Lúcia.
Segundo ela, o objetivo do trabalho foi beneficiar os produtores rurais. No entanto, a Esalq ainda precisa do apoio de uma empresa ou alguém que queira usar essa técnica para que ela seja disponibilizada na prática.
Para mais informações, basta entrar em contato com a faculdade através do número (19) 3429-4100.