Discussão sobre a obtenção de adultos e aspectos biológicos da broca-do-mamoeiro

A espécie não apresenta sazonalidade, ocorrendo de forma intensa e com infestações semelhantes ao longo do ano, independente da estação climática na região

Margareth Santos
Fruticultura

Para avaliar o comportamento da Pseudopiazurus obesus, broca-do-mamoeiro, a Embrapa Tabuleiros Costeiros realizou estudos nos municípios de Touros e Vera Cruz (RN). A pesquisa revelou que a praga tem hábito noturno, período em que os adultos possuem atividades e quando realizam seus principais eventos comportamentais, como alimentação, corte, acasalamento e oviposição.

A região mediana da planta é o local de concentração dos insetos em atividade nesse período. Eles permanecem reclusos em  refúgios, abrigando-se do raios solares e dos inimigos naturais, durante o dia e são praticamente inativos. Próximo das 17h30min, os insetos adultos saem dos refúgios e com o avançar do período da escotofase, eles se deslocam o tempo todo, verticalmente, sob a planta hospedeira.

Durante o dia a praga permanece agregada na copa da planta – abaixo dos frutos, sob sombras e em  local de difícil acesso para os predadores naturais –, sob fendas foliares, em ramificações laterais do caule e na área do coleto da planta – sobretudo se constatada a presença de plantas daninhas ao redor. Nessa fase, eles são praticamente inativos e só se manifestam quando perturbados.

As pupas do inseto apresentaram viabilidade pupal alta e semelhantes às épocas de coletas no inverno e verão, sem apresentar diferenças significativas e com médias de 81,7 (inverno) e 77,5% (verão). A espécie não apresenta sazonalidade, ocorrendo de forma intensa e com infestações semelhantes ao longo do ano, independente da estação climática na região. A relação sexual apresentada pela espécie foi de um macho para uma fêmea, ao longo das sucessivas criações. A média de emergência de adultos na escotofase foi de 83,7%, e na fotofase apenas 16,3%.

As larvas da praga concentram-se na porção correspondente ao terço inferior do tronco do mamoeiro. Após a emergência, eles rompem a câmara pupal por uma das extremidades e exibem coloração mais clara. Quando ocorre a demora no rompimento, eles são mais escuros. Cerca de uma hora depois já adquirem a cor característica da espécie. Nesse momento, apresentam pouca atividade em função do gasto energético para o rompimento, mas duas horas já estão ativos.


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