Diversidade e manejo de pastagens naturais no Rio Grande do Sul

Conservação de plantas forrageiras nativas é tema de pesquisa da Embrapa Pecuária Sul, capacitando pequenos produtores rurais na integração entre pecuária e meio ambiente

Breno Fonseca
Manejo

A base é a pecuária familiar. A discussão, a valorização das pastagens naturais. O objetivo, discutir estratégias de uso sustentável do meio ambiente. O projeto de implantação de redes de unidades experimentais participativas da Embrapa Pecuária Sul visa atingir associações de moradores e produtores de seis municípios do Alto Camaquã, região serrana do Rio Grande do Sul. Ao todo, são 12 espaços de atuação, basicamente voltados para a criação de terneiros. E, através da capacitação dos pequenos proprietários rurais, o manejo dos recursos naturais proporciona interação entre a pecuária e os potenciais da natureza.

A pesquisa é desenvolvida a partir do contato com os pecuaristas. São eles que oferecem material aos pesquisadores da Embrapa para o uso de novas tecnologias na introdução de espécies e alteração de manejo. A ferramenta é o monitoramento do acúmulo de biomassa na vegetação campestre. A técnica permite levar informações até as propriedades rurais, o que, segundo um dos coordenadores da pesquisa, José Pedro Pereira Trindade, muitas vezes não acontece.

— Sabe-se que os campos nativos têm uma produção estacional, mas que sofrem efeitos de temperatura e precipitação. Com isso, queremos provar quão diverso é a produção de biomassa de campo e que existe uma influência bastante forte em como a vegetação responde – explica o pesquisador da Embrapa Pecuária Sul.

Quadros de 50x50cm são utilizados para monitorar o crescimento das pastagens. Desta forma, é possível verificar as respostas de forrageiras às condições climáticas e os próprios hábitos de cada espécie. José Pedro comenta que vegetações rasteiras aparecem como especificidades do Alto do Camaquã. Assim, o crescimento de gramíneas, espécies de trevo, amendoins forrageiros, estilosantes e leguminosas, totalmente adaptadas ao clima temperado da serra gaúcha, é avaliado a partir do manejo das pastagens.

Outra questão fundamental apontada pelo pesquisador são as fontes de fertilização do solo. O fosfato natural e o pó de rocha são fontes de adubação naturais utilizadas. No entanto, José Pedro ressalta que o próprio manejo das plantas já altera as condições do solo, com a modificação do sistema radicular da vegetação.

— Se lidamos com pastejos muito pesados, temos plantas com menor cobertura aérea, que terão menor profundidade, menor exploração do perfil do solo. A partir do momento que começamos a trabalhar com manejo que permita o desenvolvimento da vegetação, estamos desenvolvendo as raízes. Isso traz, com certeza, modificações de solo — afirma.

Entre as respostas observadas pelo estudo de campo está o alto valor nutricional das espécies nativas na alimentação dos terneiros, especialmente as leguminosas. Isso possibilita uma diversidade alimentar mais nutritiva. Os próximos passos do projeto são a integração entre as unidades experimentais e a criação de uma rede de comercialização da pecuária de base familiar.