Implantada em Roraima no ano de 2005 para fins comerciais, a expansão da cultura da videira sofreu um grande impacto devido à propagação de doenças introduzidas nos últimos dez anos no País, a exemplo da ferrugem e do cancro-bacteriano. Na viticultura empresarial, a cultura praticamente foi erradicada nas grandes áreas em 2008, devido a esta última doença, em que a bactéria Xanthomonas campestris pv. viticola queima a folha de forma intensa, os maiores danos são observados a partir do bordo foliar, com necrose nas nervuras.
A produção roraimense está concentrada no pólo produtivo do Vale do Rio Branco, município de Boa Vista (RR), que, atualmente, conta com uma área plantada de aproximadamente 30 hectares.
Segundo os autores da publicação da Embrapa Roraima, Bernardo de Almeida Halfeld-Vieira e Kátia de Lima Nechet, é importante conhecer os patógenos já estabelecidos, quais os sintomas que incitam nas plantas, além dos aspectos epidemiológicos de cada enfermidade.
Uma das enfermidades que o agricultor pode encontrar em meio ao cultivo da uva é a antracnose. Causada pelo fungo Elsinoë ampelina, o patógeno sobrevive em restos de cultura, e os danos foram principalmente para a variedade Itália. Para o controle, entre outras recomendações, está a de evitar que o sistema de irrigação molhe a parte aérea da planta.
O míldio, por sua vez, é a doença que ocorre com maior intensidade nas videiras em Roraima. E para ver os sinais deste fungo, Plasmopara viticola, pode-se manter as folhas por 24 horas em um saco plástico fechado, com seu interior umedecido, o que auxilia a diagnose. Pede-se utilizar adubação equilibrada, evitando-se excesso de nitrogênio, entre outras formas de controle.
Já a mancha-das-folhas, cancro-bacteriano e ferrugem também são acompanhadas de perto para evitar a propagação. Os agronômos explicam ainda que sejam adquiridos somente material propagativo com certificação fitossanitária e que se use apenas variedades resistentes à doença.