Doenças nos cascos dos rebanhos bovinos de corte do Estado do Acre

A literatura citava que essas doenças se apresentavam na grande maioria em rebanhos leiteiros, mas vem ocorrendo cada vez mais em rebanhos de corte criados exclusivamente a pasto

Francisco Aloísio Cavalcante
Sanidade Animal

Uma série de doenças nos cascos dos rebanhos bovinos tem gerado prejuízo aos produtores rurais porque os animais apresentam baixo desempenho produtivo e reprodutivo. Vários criadores citam que essas doenças estão presentes em torno de 10% a 15% ou mais nos rebanhos do estado.

Os cascos são estruturas importantes para o bom desempenho da criação. Sua composição interna é constituída por um tecido cório, em forma de esponja, suprido por irrigação sanguínea, originada de veias e pequenos vasos; externamente são protegidos por um estojo córneo e resistente que sofre desgaste continuamente. O fato dos bovinos serem biungulados (cascos fendidos, ou seja, de dois dígitos) contribui para a instalação de doenças, pois ferimentos nos espaços interdigitais muitas vezes demoram a ser visualizados, favorecendo o desenvolvimento de infecções.   

Essas doenças são causadas por bactérias e constituem uma síndrome com diferentes tipos de lesões e fatores predisponentes, demandando distintos métodos de controle e tratamento. Conforme a localização nos cascos recebem denominações como mal-do-casco, gabarro, podridrão-do-casco e manqueira.

Tempos atrás, a literatura citava que essas doenças se apresentavam na grande maioria em rebanhos de característica leiteira, mas vem ocorrendo, acentuadamente, em rebanhos de corte criados exclusivamente a pasto. Em forma de orientação, são relatadas algumas situações para prevenir o problema. 
 
É importante esclarecer que em cada rebanho e propriedade os fatores e as formas de apresentação da doença podem se manifestar conforme a constituição orgânica do animal, manejo adotado em cada propriedade, alimentação e hereditariedade.

Um dos fatores que contribui para o surgimento da doença nos cascos é a presença da claudicação, ou manqueira nos animais, que muitas vezes não é observada no início dos rodeios em fazendas de pastagens extensas. A detecção da doença, tardiamente, colabora para o comprometimento dos cascos dos animais.
 
A composição do solo do estado é um dos principais fatores que contribui significativamente para o surgimento da manqueira nos rebanhos, pois algumas regiões apresentam solos mal drenados, favorecendo o amolecimento e enfraquecimento dos cascos.      
         
Inicialmente, uma das principais medidas possíveis para prevenir a doença, mesmo em propriedades de criação de gado de corte, é a instalação de um pedilúvio na fazenda, em uma área separada do curral do manejo diário, para higiene e/ou tratamento dos cascos doentes encontrados nos rebanhos. Os animais observados com manqueira devem ser separados do restante do rebanho sadio e colocados em outro pasto, destinado a bovinos com esse problema, para limpeza e casqueamento em brete de contenção.

Posteriormente, os animais devem ser trazidos para um local separado da área de manejo diário da fazenda, onde será realizada a limpeza definitiva dos cascos, com uso de pedilúvios, contendo soluções antissépticas, para desinfecção ou tratamentos dos cascos. Após esse procedimento, o brete de contenção deve ser desinfetado para evitar proliferação de bactérias nos cascos dos animais sadios.

A limpeza e o casqueamento são duas ações importantes para a prevenção dessas doenças.  Os cascos doentes devem ser limpos e aparados a cada 30 dias, tirando os tecidos necrosados a fim de favorecer o crescimento de novos tecidos, o que contribui para o alinhamento dos aprumos.    
    
Essa prática não é comum na região, mas deve ser implantada nos sistemas de criação de gado de corte, inicialmente, para diminuir a incidência de problema de cascos nos rebanhos.

Segundo a literatura, o gasto anual de um animal doente dos cascos gira em torno de R$ 150,00/ano, o que onera os custos de produção de uma propriedade. A construção de um pedilúvio na propriedade fará com que a incidência da doença nos rebanhos diminua significativamente.
 
No aspecto alimentar, a suplementação mineral é fundamental, pois suplementos terapêuticos contendo microelementos como o zinco, cobre e selênio têm sido utilizados no controle das doenças interdigitais dos bovinos. O uso diário na alimentação dos bovinos, principalmente do zinco, aumenta a resistência da pele e impede a penetração dos germes nos cascos, melhorando o processo de cicatrização após a infecção.

O uso excessivo de carboidratos na nutrição animal é um fator que contribui decisivamente para o surgimento de doenças nos cascos, porém é mais observado em sistemas de criação de bovinos de leite ou em confinamento de animais para a terminação, o que não é o caso dos sistemas de produção de gado de corte do estado.

No componente genético, muitas formas de apresentação dos cascos ocasionadas pelas doenças são consideradas de cunho hereditário, pois demonstram uma correlação com as claudicações. A forma das unhas deve ser igual, devendo ser descartadas do rebanho todas as vacas que apresentarem diferenças acentuadas entre as unhas.

Para a diminuição da incidência das doenças dos cascos, além de seguir as recomendações propostas, é importante que o criador identifique os fatores que podem ocasionar essas doenças e, preventivamente, tome decisões para preservar o seu rebanho.