Durabilidade do sistema de Integração Lavoura Pecuária

O tempo em que o produtor ficará com soja ou pastagem na mesma área, vai depender da realidade, dos objetivos, do preço no mercado atual de grãos e carne, e do tamanho da área a ser recuperada.

Margareth Santos
Manejo

No sistema de Integração Lavoura Pecuária, não há regra definida para estabelecer o tempo em que o agropecuarista ficará com soja ou pastagem na mesma área. Isso vai depender da realidade e dos objetivos do produtor, do preço no mercado atual de grãos e carne, e do tamanho da área com pastagens degradadas que se tem para recuperar.

Duas observações: em áreas de baixa à media fertilidade, é interessante se cultivar soja por um período mínimo de três anos, com o objetivo de elevar os níveis de fertilidade do solo e obter o retorno mais rápido do capital investido, uma vez que a cada seis meses é possível produzir e comercializar grãos; permanecer com pastagem por um período de um ano e meio a três anos, pois a pastagem se degrada muito rapidamente.

Experimentos na Fazenda Cabeceira, em Maracaju (MS), revelou que uma pastagem formada após três anos de soja em solo fértil gerou, no primeiro ano, o ganho de 25 arrobas de carne por hectare ao ano, no segundo, 15 arrobas de carne por hectare ao ano, no terceiro, 9 arrobas de carne por hectare ao ano, e no quarto ano, 4 arrobas de carne por hectare ao ano, revelando uma redução do potencial produtivo da pastagem em torno de 40% ao ano. Por ser produzida em solo fértil, fica claro que o maior motivo para drástica redução na produção é a falta de nitrogênio.

O retorno à pastagem definitiva, que permanecerá com pecuária num período de um ano e meio a três anos e meio, normalmente ocorre no final de fevereiro e/ou início de março, após a colheita da soja de cultivar precoce. É indicado dar preferência para a formação da espécie forrageira isolada e não em consórcio com milho safrinha, milheto ou aveia, garantindo uma formação melhor e mais rápida, e usar em torno de 600 pontos de Valor Cultural (VC) por hectare.

As espécies forrageiras mais indicadas são: Brachiaria brizantha cv. Xaráes (MG5), Panicum maximum cv. Tanzânia, Panicum maximum cv. Aruana e Brachiaria ruziziensis – permanência de um ano e meio. É recomendado a semeadura com semeadora no espaçamento de 17 a 21 centímetros e profundidade de 1,5 a 2,5 centímetros, e a utilização de rolo compactador para melhorar o contato das sementes com o solo. Assim, será possível a melhor absorção de umidade pelas sementes e, consequentemente, melhor germinação e formação das pastagens.