O feijão caupi, também conhecido por feijão macassar, gurutuba, catador, ou feijão-de-corda, é uma das principais culturas da região Nordeste brasileira. Considerado fonte de renda alternativa e alimento básico para sua população, é consumido sob as formas de grãos secos e verdes, além de seus caules e ramos serem usualmente utilizados na alimentação animal.
Dados da CONAB mostram que, em 2011, foram colhidos, no Brasil, aproximadamente 1,6 milhões de hectares, com produção de 822 mil toneladas, e média de 525 kg/ha. A maior produção do feijão caupi concentra-se no Nordeste, com 84% da área plantada e 68% da produção nacional. A cultura do feijão caupi mantém, a cada ano, 1,2 milhões de empregos diretos.
Nesse contexto, a Bahia é o terceiro maior produtor de feijão caupi do Brasil, e na região Oeste do Estado, onde o caupi é uma cultura de subsistência, principalmente para a agricultura familiar, o setor agropecuário da região, pode ser dividido em dois campos: o da agricultura familiar e o da agricultura empresarial, sendo elas diferenciadas, principalmente, pela mão de obra utilizada nos meios de produção e na disponibilidade de recursos tecnológicos.
O Gerente Regional da EBDA, Carlos Augusto Araújo Santos, destaca a importância do intercambio entre a comunidade acadêmica e a sociedade, e o papel da EBDA neste contexto, como disseminadora de conhecimentos junto aos agricultores familiares da região. “A Universidade como parte ativa da sociedade, tem papel fundamental na geração de conhecimentos que colaborem, também, com o desenvolvimento agrícola e pecuário do Estado; por isso, a importância da parceria entre as instituições governamentais na busca de auxiliar o nosso agricultor”, comenta o gerente.
A agricultura familiar, por depender, em sua grande maioria, dos recursos naturais, tais como boas condições de solo, relevo e pluviosidade adequada para alcançar bons níveis de produtividade, está vulnerável às variabilidades climáticas, como fator determinante no sucesso de seus cultivos. “Difundir cultivares adaptadas às condições locais é primordial nessa região”, afirma o engenheiro agrônomo da EBDA, José Messias, que assiste a agricultura familiar, no âmbito da Gerência Regional da empresa. “A parceria com a universidade permite que a EBDA difunda os trabalhos desenvolvidos pela entidade e forneça dados reais do comportamento de culturas como o feijão caupi, que é de grande importância econômica para a agricultura familiar regional”, enfatiza o técnico.
Segundo Eduardo Lima Duarte, técnico da EBDA e condutor de um experimento com o caupi, em parceria com a EMBRAPA/UNEB, os resultados alcançados nessa área experimental da Universidade, com o feijão caupi, indicam que, entre as vinte cultivares avaliadas, na região, três variedades apresentaram excelente adaptação às condições climáticas do oeste da Bahia, algumas com produtividade satisfatória, próximo a 1000 kg, por hectare, sendo elas: gurguéia, xique-xique e mulato.
Duarte destaca que, a partir desses resultados – com identificação de linhagens produtivas, bem adaptadas, com boa aceitação comercial e resistência às principais pragas -, se pode avançar para uma avaliação mais apurada, dentro do sistema de produção, através de Unidades Demonstrativas em áreas de agricultores familiares do oeste da Bahia.
Quanto à exigência por água, o técnico frisa que a cultura do caupi exige, no mínimo, 300 mm de precipitação, no ciclo da cultura, para que produza a contento, sem a necessidade de utilização da prática da irrigação. Uma das limitações relatadas por ele reside na má distribuição temporal das chuvas, no oeste baiano. “O nosso problema é muito maior de distribuição do que de quantidade de precipitação”, esclarece Duarte.
Com este cuidado técnico, o feijão – elemento essencial na mesa do brasileiro -, ganha mais força com a parceria entre a EBDA/Embrapa/UNEB, o que estima um aumento de produção e produtividade para os agricultores familiares da região.