Efeito de níveis de nitrogênio aplicados em cobertura sobre a produtividade de grãos de cultivares de arroz irrigado

Para análise do efeito de diferentes doses de nitrogênio sobre a produtividade de grãos do arroz irrigado, pesquisadores testaram dez cultivares dividindo em ciclo curto e médio

Aline Jesus
Grãos

Considerado um dos mais importantes produtos do setor agrícola em Roraima, o arroz irrigado ocupa cerca de 16 mil hectares de área cultivada com produção por volta de 112 mil toneladas de arroz de casca. Porém, alguns fatores com baixa fertilidade dos solos das várzeas, altos custos de fertilizantes, entre outros acabam restringindo a expansão da cultura no Estado. Por esta razão, é importante que o produtor conheça os níveis de adubação mais adequados para diminuir custos e, consequentemente, aumentar a produtividade de grãos.

Diversos estudos já mostraram que o nitrogênio é um dos elementos limitantes para o cultivo do arroz em várzea. Assim, para um desenvolvimento adequado, altas doses do insumo devem ser aplicadas na cultura que poderá responder ao nitrogênio, dependendo das condições climáticas. A partir desses enfoques, no final de 2004 até abril de 2005, um experimento foi realizado na Fazenda Santa Cecília, no município do Cantá (RR), em várzea do Rio Branco. O objetivo da pesquisa foi testar o efeito de diferentes doses de nitrogênio, aplicado em cobertura no solo cultivado com arroz há cinco anos. Ao total, dez cultivares de arroz foram testados: cinco de ciclo curto (100 a 115 dias) e cinco de ciclo médio (120 a 130 dias). Também foram utilizados quatro níveis de uréia aplicados em cobertura, sendo metade aos 20 e 45 dias após a emergência.

No documento em anexo, é possível verificar material e método utilizados no experimento.

Como resultado, os pesquisadores não observaram incidência de doenças nem acamamento da cultura em nenhum dos cultivares e níveis de nitrogênio testados. Porém, foi comprovado que a produtividade de grãos foi mais influenciada pelos níveis de nitrogênio do que pelo potencial genético das cultivares e suas interações.

Outro aspecto que foi observado mostra que as cultivares de ciclo curto alcançaram máxima produtividade de grãos com a utilização de aproximadamente 200 quilos de nitrogênio por hectare, sendo que a partir desse valor a produtividade diminui. Por outro lado, em adubação de ciclo médio, exceto na BRS Alvorada, a produtividade de grãos aumentou à medida que as doses de nitrogênio se elevaram.

Na conclusão do experimento, em todos os níveis de nitrogênio, as cultivares de ciclo médio foram mais produtivas do que as de ciclo curto. Já as de ciclo longo possuem o potencial de transformar o nitrogênio e outros produtos da fotossíntese em grãos, independente dos níveis de nitrogênio.


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