Efeitos do herbicida sulfentrazona nos processos simbióticos associados à soja

No Brasil, o herbicida mais utilizado para a soja, cana-de-açúcar, café e citros é o sulfentrazona. Porém, sua aplicação atinge os microrganismos que são importantes para a ciclagem de nutrientes e a manutenção da estrutura do solo

Aline Jesus
Manejo

O manejo de ervas daninhas é feito através do uso de herbicidas. No Brasil, o mais utilizado para a soja, cana-de-açúcar, café e citros é o sulfentrazona. Aplicados em pré ou pós-emergência, os herbicidas acabam atingindo o solo, o que afeta os microrganismos que são importantes para a ciclagem de nutrientes e a manutenção da estrutura do solo. A Embrapa Meio Ambiente realizou um estudo com objetivo de compreender os efeitos potenciais da utilização do herbicida sulfentrazona nos processos simbióticos associados à cultura da soja.

Realizado em casa-de-vegetação, os pesquisadores realizaram os tratamentos com base na aplicação ou não do herbicida sulfentrazona. As plantas foram colhidas aos 10, 24 (estágio de florescimento) e 75 (estágio de enchimento de grãos) dias após a emergência das plantas, foi observado inicialmente que o número e o peso dos nódulos secos foram afetados de forma negativa pela presença do herbicida. O mesmo ocorreu na parte aérea seca e seu conteúdo em nitrogênio total. No último ciclo da cultura, percebeu-se que a matéria seca das vagens e o seu conteúdo de nitrogênio total teve um decréscimo de 45%.

Em relação às quantidades de herbicida sulfentrazona recuperados no solo, houve uma variação de 90% aos 24 dias após a emergência e 70% aos 75 dias, comprovando que a sulfentrazona é persistente no solo. Os pesquisadores também concluíram que, possivelmente, o menor crescimento da planta correu em razão do efeito danoso da sulfentrazona nas associações simbióticas com fungos micorrízicos e com rizóbio.

É importante lembrar devem ser tomados certos cuidados com o herbicida sulfentrazona no solo. A Embrapa Meio Ambiente informa que outras pesquisas devem ser feitas no sentido de verificar como a aplicação repetida poderá afetar a comunidade de microrganismos no solo e suas funções. O trabalho realizado pela instituição mostrou que a aplicação de  sulfentrazona foi nociva para os processos simnióticos na soja. Desta forma, o seu uso no controle de ervas daninhas deve ser evitado até que novos testes sejam realizados.