Hoje em dia, devido às facilidades de acesso à informação e proximidade da cidade, os jovens que vivem no campo têm preferido permanecer na propriedade dos pais. Eles apontam a qualidade de vida como um dos fatores determinantes. Mas muitos deles fazem questão de ficar no meio rural para dar sequência ao trabalho dos pais e manter viva a tradição familiar.
É caso da agricultora Raquel Mascarello, 23 anos, que é a terceira geração da família que vive numa propriedade em Flores da Cunha (RS). Na casa, ela, os pais, os avós e os filhos dividem o trabalho nos parreirais e mantêm, juntos, a tradição da agricultura familiar, herdada dos antepassados italianos. E a vida no campo não impediu Raquel de realizar seus sonhos. No ano passado, ela se formou em educação física. “Ia e voltava todo dia à vizinha Caxias do Sul, para estudar”, lembra.
Mesmo com a rotina corrida de universitária, ela nunca deixou de ajudar os pais. Agora, formada, Raquel pretende trabalhar no campo e na cidade. “Eu acredito que é possível conciliar as duas coisas”, conta Raquel ao falar que pretende trabalhar como professora de educação física na cidade, num turno, e no outro ajudar o pai e o avô na propriedade.
Para Raquel, que está noiva e pretende se casar em breve, é importante que o jovens mantenham vivas as tradições familiares. “Eu acho que a nossa geração tem que manter sim essa cultura, preservar muito as tradições. Acredito que é a nossa geração que vai manter ou não essa tradição”, salienta Raquel ao afirmar que depois de casada pretende dar sequencia ao trabalho da família. “Eu, com a ajuda do meu noivo, estamos mantendo a estrutura aqui, a estrutura que a família sempre teve”.
Para ela, não tem motivo para sair do campo. “Sou muito feliz aqui e acho que a nossa qualidade de vida é muito grande, a começar pela água e ar puro”, diz ao realçar que hoje em dia é tudo muito mais fácil. “É cômodo ir até a cidade. Então tudo é muito fácil, a gente tem internet e tem carro. Está tudo disponível”.
Estudar para ficar
Guilherme Dalemole, 16 anos, vive no município de São Luiz da 3º Légua (RS) e compartilha da opinião de Raquel. “Pretendo ficar na terra, ajudar na minha propriedade e em toda comunidade”, garante ele ao ressaltar que para isso estuda na Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha. Guilherme já está no terceiro ano do curso de Técnico em Agropecuária.
Guilherme Dalemole, 16 anos, vive no município de São Luiz da 3º Légua (RS) e compartilha da opinião de Raquel. “Pretendo ficar na terra, ajudar na minha propriedade e em toda comunidade”, garante ele ao ressaltar que para isso estuda na Escola Família Agrícola da Serra Gaúcha. Guilherme já está no terceiro ano do curso de Técnico em Agropecuária.
O jovem agricultor familiar diz querer ficar no campo e já tem planos para a propriedade dos pais. “Pretendo dar continuidade ao cultivo da uva e também diversificar, pois não dá para viver exclusivamente da uva”, observa ao destacar as grandes perdas que a região sofreu nesta safra devido ao grande volume de chuvas e altas temperaturas. “Se a gente tiver outras frutas, outras opções, seria mais fácil”.
Guilherme conta que já pensou em ir para a cidade, mas hoje não quer mais. “Quando eu era menor pensava sempre em sair, em fazer faculdade. Mas quando fui crescendo fui percebendo a oportunidade que teria aqui e mudei de ideia”, diz ele ao destacar que pretende fazer uma faculdade para se especializar mais para fica no campo. “Eu me sinto feliz, é onde nasci e gosto. Sou bem mais feliz aqui do que na cidade”.