Emater-Rio faz controle integrado da pinta preta do caqui

Trabalho está sendo realizado numa unidade demonstrativa em Trajano de Moraes, na Região Serrana do Rio

Paulo Filgueiras, Programa Rio Rural
Manejo

De origem asiática, o caqui é considerado pelos estudiosos uma fruta rica em vitaminas, minerais e outros tipos de nutrientes indispensáveis à alimentação humana. A qualidade dos frutos está relacionada diretamente ao manejo da lavoura, à incidência de doenças nas plantas e à fertilidade do solo. No que diz respeito à saúde da lavoura, o caquizeiro está sujeito a algumas moléstias, sendo a antracnose (pinta preta) a que mais vem chamando atenção de agricultores e técnicos na Região Serrana. Causada por um fungo que se desenvolve em ambientes de alta umidade, a doença ataca ramos, folhas e, principalmente, frutos, tornando-os impróprios ao mercado consumidor.

Em Trajano de Moraes, um método de controle integrado da pinta, desenvolvido desde o ano passado, proporcionou um aumento de 92% na produtividade de frutas comercializáveis da variedade Mikado e a diminuição de 47% na quantidade de frutas com incidência da pinta na safra 2014. Tudo isso é resultado de uma unidade demonstrativa instalada pela Emater-Rio no Sítio Sobrado, na microbacia Alto Macabu. No lugar, há cerca de 30 anos, vive a família do produtor Varley Ouverney, que já adota algumas práticas sustentáveis de manejo que visam o aumento de produtividade na lavoura como, por exemplo, as podas e o amendoim forrageiro.

Autor de publicações sobre caqui, o engenheiro agrônomo da Emater-Rio Alexandre Jacintho Teixeira sugeriu como medida preventiva a utilização de espaçamentos mais largos entre os pés (em média, de 4m x 4m) para favorecer a penetração do sol e o arejamento para, assim, reduzir a umidade na cultura. Para diminuir a infestação da doença e possibilitar algumas pulverizações, a família concordou com a eliminação total ou parcial de algumas fileiras de caquizeiros. Após essa etapa, foi feito um tratamento de inverno com duas pulverizações nas folhas à base de calda bordalesa, com 15 dias de intervalo, utilizando, em média, três a cinco litros de calda por pé até o escorrimento. A fase seguinte do tratamento contou com a utilização de um fungicida químico preventivo, aplicado uma vez a cada 30 dias (nos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013) e, por fim, outras três pulverizações curativas (em janeiro e fevereiro de 2014) com intervalo aproximado de 20 dias.

“Por ser um fungo com alto potencial, sua erradicação é difícil. O manejo empregado no sítio demonstrou que é possível a convivência com o patógeno sem inviabilizar comercialmente o cultivo do caqui no município. Pesquisas ainda precisam ser realizadas para implementar um controle alternativo para substituir os fungicidas químicos utilizados”, defendeu Alexandre.

Já o agricultor está satisfeito com os resultados obtidos. “Minha lavoura tinha presença agressiva da pinta até 2013. Alguns vizinhos não estão se preocupando com a doença, pois não dependem totalmente desse cultivo. No meu sítio, o forte é o caqui e dele dependo. Sempre pratiquei a poda e estou satisfeito com amendoim forrageiro na lavoura”, explicou Varley, que tem assistência técnica continuada da Emater-Rio.

Segundo dados da empresa de extensão rural, Trajano de Moraes possui, atualmente, 150 produtores de caqui, que cultivam em 27 hectares, gerando uma produção anual de 350 toneladas.