Em Anajás, no Arquipélago do Marajó (PA), a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater), desenvolve um projeto para a reativação e recuperação dos seringais nativos no município, que já foi um dos grandes produtores de látex na região. O trabalho de recuperação começou a mais de um ano.
O projeto já atingiu nove comunidades extrativistas, e a expectativa da Emater é trabalhar para que as grandes áreas de seringais voltem à produção. Algumas estão sem produzir a mais de duas décadas. Quase 60 mil árvores já estão sendo exploradas. Segundo dados da Emater, os seringais foram desativados principalmente pela oscilação do preço do produto.
O trabalho da Emater quer garantir o aumento na renda das famílias, mas também diminuir a pressão sobre os açaizais do município. As árvores estão sendo cortadas para a produção de palmito, porém sem obedecer aos critérios técnicos para a atividade. “Nós acreditamos que os extrativistas deixam de produzir 40% do açaí devido ao corte das árvores”, disse José Nilton Pereira, técnico da Emater.
Como estratégia do projeto, a Emater está trabalhando na organização das famílias em associação, a abertura das estradas que cortam os seringais e o financiamento de kits para recolher o látex, que contém tigela, bico, arame galvanizado e suporte J. “Apesar de todo o trabalho realizado junto às famílias só conseguimos reativar, para a produção, 10% dos seringais do município. Estamos trabalhando com a elaboração de projetos técnicos para custear a atividade”, confirmou Pereira.
Para este ano de 2014, a Emater espera que a produção de látex alcance os 70 mil quilos. O projeto, que já está sendo estendido para outros 100 agricultores é desenvolvido em consórcio com o açaí. A produção da borracha garante um aumento na renda das famílias em pelo menos 30%.