Os produtores de mandioca do Acre devem estar atentos aos roçados durante o período de chuvas, devido ao risco de ocorrência do mandarová da mandioca. A praga, que até 2009 afetava cultivos da região do Vale do Juruá, pode chegar a outros locais do Estado. Já foi registrada a presença da lagarta em algumas propriedades de Sena Madureira, Feijó, Capixaba e Bujari, segundo relatos de agricultores.
Para evitar a proliferação do mandarová, um dos cuidados básicos é visitar o roçado com freqüência para verificar se há presença de ovos, lagartas ou mariposas. “É um tipo de inseto que se alastra com facilidade e com surto muito rápido. O momento de monitorar os cultivos é agora, no início da época das chuvas”, orienta o pesquisador da Embrapa Acre, Murilo Fazolin.
Segundo o pesquisador, o agricultor deve verificar se há uma quantidade significativa de lagartas no mandiocal e também observar a presença de mariposas em torno das luzes durante a noite. Estas duas fases do inseto são as mais fáceis de serem notadas. “Deve-se evitar que a lagarta chegue à quarta e quinta fases, entre o 18º e 20º dia do ciclo de vida, quando apresenta maior vigor e se alimenta com mais voracidade. O controle precisa ser realizado logo após a identificação da presença de lagartas pequenas. Por isso é importante que o agricultor visite o roçado, no mínimo, duas vezes por semana”.
Considerada uma das pragas mais agressivas do cultivo da mandioca, o mandarová possui alta capacidade de consumo das folhas e causa grandes perdas na produção e prejuízos para o produtor. “A planta consegue recuperar as folhas após o ataque, retirando os nutrientes da raiz. Esse esforço gera redução no amido, afetando o peso e a qualidade da mandioca”, explica Fazolin.
Controle
Em 2007, a Embrapa Acre testou e adaptou um método alternativo de controle do mandarová-da-mandioca: o extrato produzido a partir de lagartas infectadas pelo Baculovirus erinnys, vírus de ocorrência natural em lavouras de mandioca nas regiões Nordeste e Centro-Oeste do Brasil. “Uma das vantagens do uso desse bioinseticida é que não causa desequilibro ambiental. A sua implantação adequada poderá permitir o controle do mandarová em larga escala”, afirma Fazolin, que coordenou as pesquisas.
O extrato com baculovírus está sendo distribuído pelo Instituto de Defesa Agropecuária e Florestal do Acre (Idaf). O método, testado em propriedades da Região do Vale do Juruá, consiste na pulverização de plantios sob ataque da praga, com o extrato diluído. Para recuperar o vírus basta recolher as lagartas mortas, que são maceradas e transformadas em extrato. Congelado, o material pode ser armazenado por um período de até cinco anos.
O agricultor Antonio Cledson Santiago, de Cruzeiro do Sul, utilizou o baculovírus em 2008 e conta que o produto mostrou-se altamente eficaz no controle da praga. “Nesse roçado em que aplicamos, coletamos as lagartas doentes, preparamos o extrato, colocamos em saquinhos e guardamos para prevenir novos ataques”, diz.
O Idaf também está distribuindo armadilhas luminosas que capturam as mariposas, dificultando a proliferação do inseto. “A ideia é que as armadilhas funcionem como sistema de alerta: onde forem capturadas quantidades consideráveis de mariposas, nós iremos recomendar a utilização do baculovírus ou outro método de controle”, afirma Pedro Arruda, engenheiro agrônomo da área de defesa vegetal do Idaf.
De acordo com Fazolin, um dos passos mais importantes para o controle do mandarová é o agricultor não ter medo da lagarta. “A maioria confunde este inseto com a taturana, que causa queimaduras, mas o mandarová-da-mandioca é inofensivo à saúde humana. O líquido verde e viscoso expelido pelas lagartas serve apenas para assustar os predadores”, afirma.
Serviço
Ao identificar o mandarová-da-mandioca o produtor rural deve procurar um extensionista da Secretaria de Extensão Agroflorestal e Produção Familiar (Seaprof) ou um técnico do Idaf. A Embrapa Acre possui duas publicações sobre o tema, uma voltada para agricultores: “Sete passos para controlar o mandarová-da-mandioca”, disponível em www.cpafac.embrapa.br/pdf/doc108.pdf e outra destinada a técnicos e extensionistas “Manejo Integrada do Mandarová-da-mandioca”, disponível em www.cpafac.embrapa.br/pdf/doc107.pdf