Embrapa Agroenergia: pesquisas em processos de produção de biocombustíveis no Brasil

Brasil caminha para ter matriz energética com participação majoritária de fontes renováveis

José Manuel Cabral de Sousa Dias
Agroenergia

 

Em todas as civilizações, a transformação, a conservação e a utilização da de energia em várias formas (térmica, mecânica, elétrica, eletromagnética) são estratégicas e de fundamental importância para o desenvolvimento econômico e social. Para garantir suprimento de energia para toda a população mundial até 2050 será preciso dobrar o volume de energia em relação à atualmente utilizada. Hoje, ainda há grande dependência energética, tanto do petróleo quanto do gás natural. A busca por alternativas renováveis se deve ao esgotamento das reservas de combustíveis fósseis, à demanda por independência e segurança energéticas, bem como à necessidade de redução de emissão de gases do efeito estufa na atmosfera. Diante desse quadro, cada país passou a se organizar na busca por alternativas de energia renovável para compor a sua respectiva matriz energética.

O Brasil é um dos poucos países com capacidade para ampliar expressivamente a produção de insumos energéticos provenientes da biomassa, tanto por seu vasto território e recursos naturais quanto pela vocação agrícola e florestal. A biomassa já tem expressiva participação no Balanço Energético Nacional. Segundo os dados oficiais do Ministério das Minas e Energia relativos a 2009, cerca de 47,3% do total da energia ofertada no Brasil, foram obtidos de fontes renováveis, sendo  28,3  % provenientes de biomassa, 15,2 % de energia hidroelétrica e 3,8 % de outras fontes (incluindo biodiesel). Provavelmente em 2011, ou no máximo em 2012 haverá equilíbrio na oferta interna de energia proveniente de fontes renováveis e não renováveis.

Além disso, os avanços obtidos na substituição de combustíveis fósseis por biocombustíveis, como o etanol e o biodiesel, colocam o país em destaque no cenário mundial e servem de modelo e inspiração para que outras nações sigam caminhos similares na utilização da agroenergia.  Essa situação permite que tecnologias, produtos e serviços brasileiros sejam fornecidos a diferentes parceiros e clientes de vários países e continentes.

Em 2006, com o lançamento do I Plano Nacional de Agroenergia (PNA 2006-2011) pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, o País se organizou em relação a esse tema, definindo diretrizes de política pública para o negócio de agroenergia do Brasil e impulsionando os esforços público-privados para a agenda da substituição de combustível fóssil e  do desenvolvimento sustentável.

No contexto desse Plano, coube à Embrapa coordenar ações institucionais e um programa de desenvolvimento tecnológico que otimizem as matérias primas atuais e potenciais do país e a utilização da energia nela contida.  Atendendo a proposta do I PNA, foi criado, em 24 de maio de 2006, o Centro Nacional de Pesquisas de Agroenergia. Esse Centro, cuja assinatura síntese é Embrapa Agroenergia tem como missão: “viabilizar soluções tecnológicas inovadoras para o desenvolvimento sustentável e equitativo do negócio da agroenergia do Brasil, em benefício da sociedade”. O Plano de Desenvolvimento Estratégico dessa Unidade (PDU) pode ser consultado em http://www.cnpae.embrapa.br/pdu

Em três anos e meio de funcionamento efetivo como instituição de PD&I e com a execução de projetos nas quatro plataformas do PNA (Etanol, Biodiesel, Florestas Energéticas, Resíduos e Co-produtos), a Embrapa Agroenergia alinhou perfeitamente sua forma de atuação à do sistema Embrapa, que há 37 anos desenvolve trabalhos de pesquisas com excelência em produção de biomassa. Nesse sentido, a Embrapa Agroenergia complementa e revigora as pesquisas para fins energéticos já desenvolvidas nas demais unidades da Embrapa, potencializando competências, redes de conhecimento e recursos materiais e financeiros, em busca do cumprimento de sua missão e objetivos.

Em 02 dezembro de 2010, a Unidade inaugura a Sede própria, com modernos laboratórios e plantas-piloto que se diferenciam dos das demais Unidades da Embrapa, por contar com facilidades para pesquisa básica e aplicada de processos industriais, além da caracterização e desenvolvimento de matérias-primas vegetais e outros insumos para processos de transformação a aproveitamento da energia neles contida.

Com as pesquisas realizadas e o conhecimento gerado, a Embrapa pode contribuir na tomada de decisões públicas e privadas com dados técnicos consistentes. Estrategicamente, será fundamental que o Brasil amplie a aplicação de recursos em PD&I, visando saltos de competitividade, incrementando o suprimento de energia proveniente de fontes renováveis e fortalecendo ainda mais a liderança do país na produção de matérias primas de interesse energético, biocombustíveis e co-produtos de elevado valor agregado.