A Embrapa Agroenergia investe na modificação da parede celular da cana-de açúcar voltada para produção de etanol de segunda geração. Coordenada pelo pesquisador Hugo Molinari, a equipe trabalhou no sentido de relacionar o processo de senescência foliar e a transformação desses novos açúcares para aferir um modo de partí-los, disponibilizando-os numa forma fermentável.
— Tradicionalmente oriundo da sacarose extraída do caldo da cana, o etanol será produzido também por meio de outras substâncias presentes na estrutura da planta. Dentre os polímeros que compõem esses tecidos, a celulose é o mais abundante — diz ele.
Após a primeira fase de análises bioquímicas de um material comercial de cana, conduzidas na unidade Cerrados da Embrapa, o projeto está identificando alvos comuns aos processos de modificação e envelhecimento da espécie em laboratório.
— Já temos alguns genes isolados por meio de técnicas moleculares e a partir daí será possível manipular a planta coordenadamente, quebrando a parede celular bem no final do seu ciclo. Uma interferência anterior poderia comprometer tanto arquitetura quanto ao acúmulo de açúcar nos colmos da cana — explica Molinari.
As ferramentas desenvolvidas darão origem a uma variedade geneticamente melhorada, permitindo aproveitamento integral da cana-de-açúcar para produção de etanol. Além de agregar valor aos canaviais, a inovação diminui a necessidade de insumos e os limites das áreas plantadas, à medida que potencializa o rendimento por hectare. A divulgação dos primeiros resultados práticos está prevista para 2011.