Chegaram 49 ovelhas das raças Suffolk e SRD ao Arranjo Produtivo Local (APL) de ovinocultura de fronteira, em Ponta Porã, no dia 18 de março. O APL é uma parceria entre a Embrapa Agropecuária Oeste (empresa vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento) com Ministério da Integração Nacional, Embrapa Caprinos e Ovinos e governo do estado de Mato Grosso do Sul, através da Seprotur.
Segundo o Chefe-Geral da Embrapa Agropecuária Oeste, Fernando Mendes Lamas, o objetivo do APL é contribuir para o desenvolvimento da ovinocultura na região da fronteira Brasil e Paraguai, disponibilizando tecnologias para sistemas de produção envolvendo ovinocultura.
O Arranjo abrange nove municípios (Caracol, Bela Vista, Antonio João, Ponta Porã, Dourados, Aral Moreira, Laguna Carapã, Caarapó e Amambai) da fronteira entre Brasil (MS) e Paraguai. “Essa atividade é adequada para os pequenos agricultores, podendo se constituir em mais uma alternativa de renda. Existe, por parte de empresários, interesse em se estabelecer em Mato Grosso do Sul com objetivo de abater ovinos e processar a carne. Portanto, o mercado sinaliza como promissor”, diz o Chefe-Geral da Embrapa Agropecuária Oeste.
Para Lamas, a ovinocultura é uma atividade que tem grande potencial nas condições de Mato Grosso do Sul, “entretanto ainda se faz necessário o desenvolvimento de tecnologias adequadas ao MS, como definição de espécies forrageiras, controle de ecto e endoparasitas e melhoramento genético”, explica.
Atuação do APL
Na Embrapa Agropecuária Oeste, em Ponta Porã, já começaram os trabalhos para desenvolver tecnologias adequadas para a região. De acordo com a pesquisadora da Unidade, Marciana Retore, doutora na área de produção animal, o primeiro passo está em andamento, que é o acasalamento das fêmeas.
Após esta fase, que deve acontecer entre final de abril e início de maio, começam as avaliações para produção e terminação de cordeiro em gramíneas tropicais.
Em seguida, o objetivo é realizar treinamentos e Dias de Campo para técnicos e produtores sobre manejo de pastagem e manejo sanitário, principais demandas identificadas em levantamento realizado em 2010 pelo analista da Transferência de Tecnologia da Embrapa Agropecuária Oeste, José Mauro Kruker.
“Além disso, com o andamento dos estudos, poderemos indicar matérias-primas alternativas para suplementar os animais em período de maior exigência nutricional ou quando houver escassez de forragem, permitindo que os animais atinjam o peso de abate mais cedo, com carne de melhor qualidade”, completa Marciana.
O APL possui 30 hectares, aproximadamente 22 ha com pastagem (aruana, marandu e tifton) e em torno de 6 ha destinados à lavoura (plantio de milho e aveia). "A intenção é aumentar o rebanho para que possamos ter um número suficiente de cordeiros para a realização de pesquisas", explica a pesquisadora. (Sílvia Zoche Borges)